22 junho 2017

Ana Paula Oliveira ― escritiva nº 21

O meu marido sempre foi duro de ouvido, quer para cantar, quer para línguas estrangeiras.
Fomos de férias para o sul de Espanha e passámos uma noite num hotel, em Sevilha, onde jantámos.
Na hora de pagar, disse-lhe a rececionista:
Tu tienes una cena…
― Cena???? Não houve cena nenhuma. A minha mulher deitou-se e dormiu toda a noite…
― Como asi???
De longe, apercebi-me da atrapalhação de ambos. Às gargalhadas, gritei-lhe:
― O jantar de ontem! É para pagar!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Carla Silva ― desafio RS nº 50

Complicações
Desculpa?! A culpa é minha?
― Claro! De quem mais? Tu e essa mania de contar tudo o que ouves! Não viste que se ia complicar?
― Alguém tinha de a desmotivar, fazer-lhe...
― Desmotivar?! Diz antes motivar! Agora está ali a descontar no pobre, quando não devia ligar peva ao que disseste.
― Não disse nada de mais.
― Não?! Parecias uma espingarda com o automático encravado, sem o conseguires desligar
― Admito, errei! E agora?!
― Agora?
― Sim, como descomplicar?
― Perguntas bem.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio RS nº 46

Enfrentando a mudança
Juntando uma e todas as palavras para,
saber escrever bem e sem perturbação ou
confusão, estou sempre a consultar o meu
coração, para evitar mal entendidos e alguma
Polémica, fujo do escuro e enfrento a
Luz mesmo pouco intensa há sempre uma
Nesga, que através das frestas das janelas
Simples, iluminam e não deixam esconder a
Mudança, quando caminhamos e o chão fica
Pisado e às ervas rastejantes fico preso.
Me enleio e meu andar fica parado
Maria Silvéria dos Mártires, Lisboa

Desafio Rádio Sim nº 46 – 12 palavras impostas

21 junho 2017

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 21

― Ai, que engraçada! ― disse, para dar a entender que era uma fã da chefe.
― Qué dices?!
― Desculpe, desculpe, estava a comentar que gosto muito dessa sua blusa, linda de morrer! Credo, que até fiquei embaraçada…
― Embaraçada?! Tú?!
Foi despedida duas horas depois. Sem perceber porquê, veio choramingar para casa, onde o namorado, espanhol, não parou de rir.
Mais tarde, aflita e acompanhada do tradutor doméstico que quis ir consigo, recuperou o emprego, mas não do verdadeiro embaraço!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Manuela Branco ― desafio RS nº 50

Desculpa se errei!
Foi desconhecimento, foi por amor, foi por querer o Mundo só para ti.
Desfaço os nós da minha mente, que desmente o desfazer da minha culpa.
apertar do peito, o desgosto do tempo perdido, o desapertar da mágoa, leva-me ao conhecimento da paixão que gosto e prezo ter por ti.
Faço parte da tua vida sempre, e o que melhor sei fazer é amar-te até morrer.
Um filho é outro coração que bate!
Manuela Branco, 60 anos, Alverca.

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

Sandra Antúnez e Irene Almazán ― desafio nº 76

Férias na praia?
A Sandra vai à praia nas férias, mas a sua família quer ir à piscina. Ela estava chateada e queria ir à praia sem ninguém. Na praia, ela agitava-se na areia e achava que a água estava diferente. Ela começa a andar depressa, e vê muita gente a gritar. Ela sabe que é um tsunami, está quase a alcançá-la, ela começa a gritar, a andar rapidamente, pensa que vai falecer. De repente, ela sai agitada da cama. 
Sandra Antúnez e Irene Almazán, 14 anos, Escola Secundária Zurbarán, Badajoz, prof Catarina Lages
(texto vencedor de um concurso com jovens que estudam PLE)

Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

Mara Domingues ― desafio RS nº 50

Tinha escolhido desvalorizar o amor ao longo dos anos, possivelmente para se poupar à descoberta do desgosto mas sempre fora honesta com aqueles de quem gostou, até porque seria uma deselegância da sua parte não esclarecer desde início as suas intenções.
Preferia levar uma vida de desamor mas coberta das suas certezas do que valorizar o que não dependia só de si. Gostava de se mover dentro das suas relações de forma elegante, segura e sem surpresas.
Mara Domingues, 36 anos, Lisboa

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

Theo De Bakkere ― escritiva nº 21

Uma conversa mal-entendida
― Desculpe-me, procuro a quinta das pegas, queria comprar uma dessas pegas formosas para o meu filho.
― Ai, Senhor, não sou daqui. Talvez saiba mais o homem sentado no burro ao lado daquela velha pega.
― Desculpa-me, não noto, nem pega nem burro.
― Não vê o homem e a mulher no banco?
― Ah sim!
― Então, com certeza saberão onde se vendem pegas domesticadas que sabem falar.
― Mas não procuro um cavalo falante, mas uma pega, um cavalo de duas cores.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Natalina Marques ― escritiva nº 21

Não comes?
Dói-me a mó (dente).
Pois, está encravada,
esta semana não tens farinha para a fornada.
Hoje não posso regueirar (regar)
não sei da enchada, a manga (mangueira) está cobrada (partida).
Vais, ó Ti Manel, a buscar outra, depois faço a paga com pão.
A enchada está ao cabo (fundo) da meroça (pedaço de terreno).
O Zé?
Está mal, bateu com a canela (perna) numa fraga (pedra)
Sim, e porque não puseste no arroz doce?
Esqueci-me.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Domingos Correia ― desafio RS nº 50

Um passo em frente, dois para trás
Eram dois compadres. Um sóbrio, o outro, o Manel, sempre bêbado. Enquanto havia farra, tudo engraçadoDesengraçado, era na hora de voltar. O Manel, não andavadesandava! Um passo em frente, dois para trás. Adivinha-se o resultado…
Um dia, o compadre olhou-o, desolhou-o…
“Estou farto… mas ser desleal? deixá-lo aqui embrulhado?… quem haveria de o desembrulhar?...”
Então, amigo leal, virou-o ao contrário. Assim, dando um passo em frente, afastando-se, mas dois para trás, aproximando-se, chegou a casa.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

20 junho 2017

Desafio Escritiva nº 21

Em espanhol e em português há muitas palavras traiçoeiras que me passam rasteiras com alguma frequência. Por exemplo, cola. Ora em espanhol é fila, ou seta, um tipo de cogumelo, ou vaga, que em espanhol é preguiçosa. 
Isto que me acontece com estas duas línguas, ocorre também com muitas outras, por isso, acho que estes “falsos amigos” merecem, ser “denunciados”.

Aqui fica a minha "queixa":
Andava há horas à procura da seta amarela que me indicaria o caminho certo, quando me encontrei com um senhor simpático que me garantiu saber onde poderia encontrar “setas”. Eu, que queria apenas uma, pensei que melhor “setas” a mais do que a menos. E lá fui atrás dele. Não, não descobri o albergue de peregrinos, mas comi um belo prato de “setas”, que eu conhecia apenas como cogumelos, acompanhado de um belo “vaso” de vinho tinto!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

19 junho 2017

Fernanda Costa - desafio nº 98

Piso o local pela primeira vez, anseio pela água salgada. Vou de carro, depois a pé. A insegurança domina-me, mas o caminho chama-me.
Há uma propriedade privada, fabulosa, imponente, construída em dias felizes. A decadência é visível, as palmeiras há muito se despediram. Apesar de tudo, merece ser amorosamente requalificada. 
Em deslumbramento, atravesso-a!
Encontro um oceano brando ― o rio recebeu-o.
Na praia, há conversas esclarecedoras ― o local é paradisíaco.
Não tenho dúvidas, os anjos pegaram-me ao colo.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Programas Rádio Sim - semana 19 Junho 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

17 junho 2017

Isadora Quaresma e Inês Garcia ― desafio nº 35

Eles não sabem que o sonho
é a chave da imaginação
e alguns, nem pensam, nem sonham
o quão maravilhoso é sonhar.

Um mar de realidades,
uma floresta de emoções,
universos paralelos,
um planeta de canções.

Tu aí, que pensas que os sonhos
são coisas banais,
digo-te que eles são os responsáveis
pela evolução e outras coisas que tais.

Sonhar é voar num céu imenso,
algo presente na nossa mente
e dizê-lo cantando a toda a gente!
Isadora Quaresma e Inês Garcia, 12 anos, Escola Básica 2,3 do Castelo, Sesimbra, prof Carla Silva
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

O primeiro verso é de António Gedeão e o último de Florbela Espanca

Juliana Panão e Margarida Gonçalves ― desafio nº 35

Eles não sabem que o sonho
é o que transforma o mundo
mesmo que seja medonho
nunca nos deixa ir ao fundo.

Eles não sabem que o sonho
é um mapa por decifrar
para encontrar o caminho
e no mar não naufragar.

Eles não sabem que o sonho
alimenta a nossa vida
e dá luz à alma
de uma forma desmedida.

Desejo pôr-te comigo a sonhar,
envolver-te na minha mente
e dizê-lo cantando a toda a gente!
Juliana Panão e Margarida Gonçalves, 12 anos, Escola Básica 2,3 do Castelo, Sesimbra, prof Carla Silva
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
O primeiro verso é de António Gedeão e o último de Florbela Espanca

Rita Martins ― desafio nº 37

O jogo do Rui
Ontem, o Rui foi sozinho de comboio, sem medo, para um jogo de ténis no Porto. O Ivo foi de elétrico!
O Rui fez dez jogos e perdeu um, ficou com nove pontos. É um génio, ficou muito feliz! O Ivo perdeu todos, ficou em último!
O Filipe, primo do Rui, felicitou-o pelo incrível jogo.
Hoje, o Rui, o Filipe e o Ivo têm como destino o Porto, outro jogo de ténis. Nenhum perde, todos se divertem!
Rita Martins, 3º B, Escola São Miguel de Nevogilde, Porto
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Miguel Sousa e Pedro Teixeira ― desafio nº 35

Eles não sabem que o sonho
é um pensamento feliz,
umas vezes pode ser medonho
outras, emblemático como a torre de Paris.

Eles não sabem que o sonho
é um pensamento que nos ilumina
e que nos dá força
para atravessar a Muralha da China.

É um pensamento que nos dá tranquilidade,
que nos faz acreditar que é possível
subir à Estátua da Liberdade.
Atingir a plenitude da mente
e dizê-lo cantando a toda a gente!
Miguel Sousa e Pedro Teixeira, 12 anos, Escola Básica 2,3 do Castelo, Sesimbra, prof Carla Silva
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
O primeiro verso é de António Gedeão e o último de Florbela Espanca

14 junho 2017

Guilherme Santos e Miguel Freitas ― desafio nº 111

― Está lá, daqui fala do Departamento Nacional da Psicologia Especializada.
― Olá, nós cá em casa, temos uma criança autista e precisamos de auxílio psicológico.
― Quantos anos tem?
― Tem 8.
― Primeiro, providenciaremos aulas acompanhadas. Em segundo lugar, terão, semanalmente, sessões de terapia familiar para poderem ajudar-se mutuamente.
― Mas como é que nós podemos registá-lo no programa?
― Para se registarem, vão ao nosso site www.DNPEforum.com.
― Muito obrigado pelo seu auxílio, felicidades.
― Nós é que agradecemos, tenha um bom dia!
Guilherme Santos e Miguel Freitas, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida da silva

Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

Sofia Dias e Vera Carminé – desafio nº 111

― É do 111?
― Sim, sim! IAFC, Instituto de Apoio à Falta de Criatividade.
― Já estou em desespero, tenho de fazer um texto de tema livre, para a aula de Português, e não tenho ideias.
― Efetivamente, essa é uma das piores situações por que um aluno passa. Enviar-lhe-emos, dentro de dois segundos, uma caixa 6x6x6 com criatividade em pó para diluir em água.
Puft!!! 
― Uau! Obrigada!
― Não tem de quê.
― Acabei de o tomar! Ena! Tantas ideias a brotar!
Sofia Dias, 11 anos, e Vera Carminé, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof Raquel Almeida da silva

Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

Alexandre Mendonça ― desafio nº 105

Eu estava a morrer por dentro. A guerra já tinha acabado, mas um terrorista tinha-se escondido dentro de minha casa e ameaçava matar toda a minha família se o denunciássemos.
Ninguém aguentava aquele clima de tensão constante. Então, a minha irmã acabou por tentar escapar. Contudo, não conseguiu, porque, no momento em que estava a fugir, o terrorista deu-lhe um tiro na perna e prometeu dar-lhe outro… Desta vez, não me contive e esfaqueei-o brutalmente para a defender.
Alexandre Mendonça, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida da silva

Desafio nº 105 – frase de Einstein