26 setembro 2016

Sou um piolho

Sou um piolho. Boné verde, ténis vermelhos, lenço cinzento – todo eu pequeno e vistoso, podem crer. Exercito o estilo. O meu defeito? Sou tímido, preciso viver sozinho. Pêlo louro, ruivo, negro, só quero mesmo ter onde viver. E encontrei. Perdi-me por entre esses fios espessos, rebeldes, em crescimento. Difícil bosque de medos, muito produtos mortíferos, eu meio perdido e nervoso. Sobrevivi. O miúdo passou o pente e disse, contente: «Bem limpo, sem um piolho!» – e eu sorri.
Maria Teresa Meireles, 53 anos, Vila Nogueira de Azeitão

Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Menti por uma boa causa

Quarta classe. Hora de mostrar os deveres. Mostra um, mostra outro… até que chega a vez do Quim:
-Não fiz, professora…
-Porquê?
-Estive a ajudar o meu pai…
A professora não acreditou e preparou-se para dar umas quantas reguadas.
Olhei o Quim, olhei o medo nos seus olhos… tive pena! Resolvi mentir, então:
– Professora, é verdade, eu vi o Quim a ajudar o pai no quintal.
Castigo anulado!
Quim perdoado.
E no meu coração,
Um presente dourado.
Domingos Correia, 58 anos, Amarante

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Para um sonho realizar

Sou Tauane, mas muitos me chamam de Tatá e hoje a minha história vou contar. Em 2013 uma doença quis me levar. Fiquei presa entre o céu e a terra, mas Deus veio para me salvar, eu me curei e nenhuma sequela ficou e hoje estou aqui e vou lutar para todos os meus sonhos vivenciar.
Quero ser atriz e pelo Brasil viajar, mostrar a todos essa arte que sabe encantar. Lutem sempre, para seu sonho realizar!

Tauane Gonçalves, 13 anos, 8º ano A, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

Pedro e o Lobo

Conheces «Pedro e o Lobo?» Um livro sobre um menino teimoso e muito mentiroso, que repete o susto e depois ri com desprezo do medo dos outros. O lobo é esperto e sente pelo cheiro se o momento é certo ou se deve recolher-se.
Gosto de ler em silêncio, no sossego do meu beliche e por vezes penso que estou num bote: flutuo primeiro pelo rio Tejo; depois mergulho no rio Douro - e sinto-me bem feliz!
Maria Teresa Meireles, 53 anos, Vila Nogueira de Azeitão

Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Ramo de ervilhas

Cuidadosamente a caneta, depois de bebericar no tinteiro, desenhava, lentamente, as letras. Algumas ficavam prisioneiras nas duas linhas, outras esgueiravam-se acima ou abaixo, provando que era possível ir mais além. Os livros, herdados dos irmãos, vestiam, a cada início de ano, uma capa para se fazerem novos. Naquele ano, no último dia de aulas, levou um ramo de ervilhas de cheiro para a professora. E ainda hoje, é esse o perfume do seu tempo de escola primária…

Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Vou para Portugal

Vou para Portugal, muitas coisas boas viver, passear e conhecer, morar e estudar. Vou com minha mãe, mas também vou morar com meu padrasto, o Erasto. Vai ser muito divertido e interessante.
Pretendo conhecer Lisboa, Braga, Algarve, Porto e muitas outras cidades. Lá se pode conhecer muitos países viajando de trem, algo bem moderno e prático. Agradeço muito a Deus por esta oportunidade.
É claro que vou sentir falta dos meus amigos, porém a vida sempre segue.

Natália, 13 anos, 8º ano C, CEF 04 de Brasília, profª Celina Silva Pereira

25 setembro 2016

77x77 - Leonor Tenreiro

Tento fazer as palavras andar. De dentro para fora. De lá para cá. Do que se vê e ouve. Do que se sente e do que se esconde até ser escrito. Num dos encontros onde a Escrita se faz plasticina, ouvi uma mãe dizer que o filho sofria de um mal genético: falta de imaginação. Queriam curar-se. Muitos textos depois, vi-a colocar a mão no peito da criança e dizer “Oh filho, tinhas isso tudo aí dentro?”.

Objectos e seres

O espelho disse: «Sou liso, belo e esguio»
O leque explicou: «Sou leve e fresco; sou lindo!»                                     
O livro sussurrou: «Eu sou um segredo imenso!»
No bosque em frente, o coelho espreguiçou-se e correu sem medo sobre o verde seco.
O menino escreveu com o dedo no vidro húmido: «Gosto de ti.»
Cheio de si, o espelho continuou: «Sou livre, louco; sou um rebelde. Não espelho o mundo, não
reflicto ninguém. Sou só e único. Eu mesmo.»
Maria Teresa Meireles, 53 anos, Vila Nogueira de Azeitão - como incentivo para os alunos!

Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Escola Primária

Da minha escola primária,
Guardo mágoas, sofrimentos,
Castigos de ordem vária,
Gritos, lágrimas, lamentos!

Se gostei da professora?
Do melhor daquela altura…
A fama era merecedora
De alunos de envergadura!

Bofetões e reguadas,
Método de aprendizagem,
As tabuadas cantadas,
Linhas férreas de viagem!

Viagem que era utopia
Para quem andava a pé,
Sem conhecer o comboio
Ou o mar da Nazaré!...

Era assim mesmo o ensino:
– Memória e papaguear…
Entrava tudo a pino
E saía a voar!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Exemplo da professora para os alunos - lindo!

Desci o poço esguio e profundo, toquei com o pé o frio escuro. 
Pensei: «O centro é um zero, um negro curvo». 
Senti escorrer um suor quente, espesso, como se tivesse febre. 
«O centro é um delírio vertiginoso - é isso! - um redemoinho que nos impede de ser fio-de-prumo». Que susto! 
Subi o poço com custo, suei, gritei, ouvi o eco repetir-me o medo. Respirei fundo. Esforcei-me. Toquei o cimo, o bordo; senti-me forte, de novo.
Maria Teresa Meireles, 53 anos, Vila Nogueira de Azeitão - como incentivo para os seus alunos

Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

23 setembro 2016

Programa Rádio Miúdos 106 – 23 Setembro 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!

É a rádio mais fantástica que há!

O pobre e o rico
Um pobre encontrou um rico e perguntou-lhe:
– Porque és infeliz, se tens muito dinheiro? – inquiriu o pobre.
– Porque uso-o, quer dizer compro com o dinheiro isqueiros, um vício enorme e terrível e depois o meu dinheiro, foi-se.
– Deve ser horrível, suponho!!! – disse o pobre.
– Pois é – disse o rico. – Eu quero é ser pobre como tu – continuou o rico.
– Tu és doido é horrível ser pobre! – disse o pobre.
– Prefiro ser pobre.
Margarida Mendonça, 9 anos, Lisboa
Desafio RS nº 39 – história de amor sem A!

Programa Rádio Sim 846 – 23 Setembro 2016

OIÇA aqui
o programa em podcast na Rádio Sim

Noite de Natal
Eram 7 irmãos, todos casados e com filhos.
Ao todo eram 11 primos, todos rapazes.
Entretanto a esposa de um desses irmãos ficou grávida. Os dois logo
desejaram ter uma menina, mas parece que só um milagre faria isso acontecer.
Numa noite fria de Dezembro, o tão desejado bebé nasceu.
Era uma menina!
Será que foi milagre?
Era noite de Natal.
A menina hoje tem 59 anos... Chama-se Natália.
Nome escolhido pelo médico e enfermeira da maternidade.
Natália Fera, 59 anos, Moita.
Desafio RS nº 41 – números primos e… primos

O cúmulo da honestidade

Última aula. Pedi aos alunos uma avaliação que incluísse a autoavaliação, uma crítica fundamentada às aulas, à professora e ao manual usado. O Tiago, aluno inteligente, com excelente cultura geral, mas dominado – completamente – pela inércia, que dormia com regularidade nas aulas, franziu-se. Mais tarde li: “Mereço um 2 porque não fiz nada e dormi muitas vezes. A professora e as aulas estavam bem (acho eu). Quanto ao manual não sei dizer. É injusto falar: nunca o abri!”.
Maria José Castro, 56 anos, Azeitão
Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Geadas

O calor era um bom sabor de boca que o Verão deixou. A maresia foi substituída pelo cheiro a papel, borracha e madeira com carvão. O despertador tocou após meses de silêncio e o coração bateu mais forte. Ao cruzar os portões de ferro e ver caras conhecidas, os amores de Verão transformaram-se em miragens e o Outono num oásis que prometia ensinar que há amores que resistem à geada se o peito for feito de brasas.
Fernando Guerreiro, 40 anos, Odemira
Mais textos em: www.microcontos.pt

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…