22 fevereiro 2018

Martim Mendes ― escritiva 24


Roubo e recuperação da ervilha
Um ladrão roubou uma ervilha mágica do museu. Esta ervilha era especial, porque tinha promovido um casamento real.
Os guardas ficaram muitos chocados e assustados. Poderiam ser expulsos!
Felizmente, na ervilha, havia um microchip, que permitia ser detetado pelos instrumentos da polícia. Para o príncipe não saber, o diretor do museu, apressadamente, dirigiu-se à esquadra mais próxima. A deteção foi rápida. 
O castigo do larápio consistiu em proceder à limpeza do museu, de dia e de noite.
Martim Mendes, 14 anos, Lisboa 
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância


Filomena Galvão ― escritiva 29


Sentia-se só, muito só e triste. O velho casaco felpudo de lã grossa era o seu aconchego e era também com ele que  a menina gostava de se  envolver e se enroscar no sofá. Caíra e esperava agora impacientemente que ela o voltasse a coser. Era um pequeno e redondo botão de madrepérola. De repente, sentiu a agulha a trespassá-lo, a linha a deslizar, a prendê-lo à carcela da lã. Que felicidade, estava de novo em casa!
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Ana Rita ― desafio RS 48

Stella olhava com horror, não queria ver. Mas tinha. Não queria enfrentar o medo. Mas tinha. Fechou os olhos com força, os punhos firmemente cerrados, tremendo junto aos seus flancos. Respirou profundamente. Dentro e fora.
Abriu os olhos. Viu a mesma cara, mas encarou a verdade. Não era a sua cara e era. Estava retorcida pelos seus demónios, irreconhecível. A vida é cruel, destrói uma pessoa, primeiro por dentro, depois propaga-se para o exterior, reclamando o prémio.
Ana Rita, 16 anos, Odivelas
Desafio RS nº 48 ― um rosto diferente no espelho


Margarida Freire ― escritiva 29


A bem dizer ela tinha dois amores. Se lhe perguntassem, não saberia dizer de qual gostava mais. Com o primeiro, sentia-se aconchegada. Feitos um para o outro; nenhum espaço entre ambos, perfeitamente ajustados.
Com o outro, não era bem assim. Uma experiência diferente que nem sempre lhe agradava. Relação aberta, seria isso?  Sentia saudade do sossego de outros tempos. Um dia, abalou.
A Tinta voltou para o Frasco, esqueceu o Tinteiro.
Felizes para Sempre, graças à Esferográfica…
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Ana Rita ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. A liberdade não esperara por si. Deixou-se afundar pelas horríveis garras opressoras da sociedade, pelos demónios e vozes duvidosas, umas eram suas, outras de espetadores. Teve uma luz em frente de si, mas ignorou-a, pensou que era mais fácil e que as vozes se calariam. Não se calaram. E agora, está sozinho e acorrentado, numa sala escura sem conseguir respirar, desprovido de qualquer ar ou fonte de vida. Encarcerou-se a si mesmo numa jaula.
Ana Rita, 16 anos, Odivelas
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»


Elsa Alves ― desafio 83


Precárias palavras leva-as o vento, arrastando-as pela folha de papel. E a madeira do quarto alimenta o caruncho... Só algumas sílabas mudas procuram abrigo, mas não há timoneiro, nem aventuras. Só obstáculos e muitas  maçadas (tantas faturas por pagar, o lixo para deitar no contentor). Tão diferente a maré interior que nos insidia em viagens sem rumo... Não há regras milagrosas, apenas frágeis suspiros, solidões rasgadas na noite, o medo que espera, esse acreditar num sucesso. Chegará?
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca Xira
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres


21 fevereiro 2018

Gonçalo Gonçalves ― desafio 43


A pequena gota de água... "esgota-se". A poluição dos rios, dos mares, dos lagos, das chuvas ácidas e a falta de poupança de água, futuramente, levarão à falta do nosso maior bem.
Tudo isto se deve à teimosia humana, de todos nós, de nos recusarmos a fechar a torneira enquanto lavamos os dentes, ou quando demoramos mais de cinco minutos a tomar banho.
Portanto, lembremo-nos de que, enquanto desperdiçamos o que mais precisamos, a pequena gota... "esgota-se".
Gonçalo Gonçalves, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água


Daniel e María ― escritiva 29


Daniel é um papel de bombom e sente-se emocionado, animado porque está a viver numa nova odisseia. Ele ainda não sabe, mas ele vai ser um papel renovado, ele gostaria de ser um papel de gelado porque não queria mais calor, procurava agora novos amigos de coração frio. Embora gostasse de ser um papel de bombom, estava cansado, já que levava muitos anos com o mesmo doce de chocolate amargo. Agora precisava de novas aventuras e companhias.
Daniel de la Fuente Martín, 20 anos, María Santiago Peralvo, 23 anos, Salamanca, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


3º/4º B, EB Galveias ― desafio RS 30


Locais com história
No mercado, um homem vendia talos de couve e tinha muitos problemas com as tolas das moscas.
Nas lotas, os pescadores vendem sardinha, carapau e salmão, tudo do mais fresco que há.
Na quinta do Tio Manuel, os cavalos andam sempre à solta. Um desses cavalos deu um salto pelos altos muros e caiu em cima das silvas. Picou-se todo, partiu algumas costelas e relinchou durante horas.
Todos estes locais têm histórias engraçadas para todas as idades.
3º/4º B, EB Galveias, professora Carmo Silva
Desafio RS nº 30 – anagramas de S L T O A


Theo De Bakkere - escritiva 29


O frasco e o perfume
Duma pazada arreia feita, nunca presumira que era predestinada para se transformar num frasco enchido de perfume da casa Chanel. Ah! Cheirava tão bem. Entretanto, o futuro estava garantido, as empregadas sempre recomendavam o nr 5 como melhor compra. Somente devia esperar não cair nas ignorantes mãos daquelas que o usariam como se fosse um ordinário pulverizador da casa de banho. Não, deve ser alguém que sabe apreciar parcimoniosamente esse perfume. Afinal ficará a sua vida prolongada.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos

Joana Silva ― desafio 43


É surreal como um simples erro pode afastar tudo e todos de ti. Não o fazemos por mal, não temos intenção de magoar ninguém, não pensamos nas consequências dos nossos atos, mas errar com quem mais gostamos pode abalar a nossa vida de uma maneira inexplicável… Contudo, tu podes escolher se voltas a cometer insistentemente os mesmos erros ou se aprendes com eles. Por vezes, um erro pode mudar o rumo de uma história, de uma vida…
Joana Silva, 14 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 43 – imagem de uma gota a cair numa superfície lisa de água


Alejandro, Esther e Aythami ― escritiva 29


A catorze de fevereiro, um plástico sozinho estava desolado porque fora rasgado e separado do seu coração doce. O triste plástico ficou tão doente e vazio que já não queria viver mais. Mas eis que, quando estava a chorar a sua saudade, passou um novo coração que fez com que ele se sentisse vivo e livre. Então, ele apaixonou-se novamente e nunca mais se sentiu frágil. Terminaram felizes para sempre e, agora, vivem contentes e docemente abraçados.
Alejandro García Hernando, 18 anos, Esther Crespo López, 29 anos, Aythami Miranda Moreno, 25 anos, Salamanca, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Sérgio Felício ― desafio 12


Máquina
Fui tocar com ligados às máquinas à universidade de Aveiro. Devia pôr máquina ligada à eletricidade, mas… esqueci-me de pôr máquina a carregar ― parelho que uso para o auxílio respiratório. A máquina começou a dar sinal, a apitar PI-PI, era sinal que a bateria da máquina estava prestes a acabar. Estávamos para nos vir embora, mas tivemos que estar todos à espera da máquina, quatro horas, apanhando grande seca para que carregasse a bateria da máquina. Puxa!
Sérgio Felício, 37 anos, Coimbra
Desafio nº 12 – uma palavra que aparece meia-dúzia de vezes, pelo menos


Natalina Marques ― escritiva 29


Vieram juntos do mercado, foram juntos para o frigorífico e o tempo que ali permaneceram chegou para descobrirem a sua paixão.  Juraram amor eterno, que iriam juntos para a panela da sopa.
Mas a cenoura, que sonhava com voos mais altos,  preferiu a salada, deixando o nabo na mais profunda solidão.
Passado  alguns dias, disse para a abóbora, que o olhava com ternura.
― Tu também te vais embora?
― Eu não gosto de salada, prefiro a sopa contigo.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Chica ― escritiva 29


Fim de tarde, Rita no parque.
Absorta, ouve vozes.  Escuta então:
― Logo, eu e os demais bancos todos que estão tão coloridos  ficarão vazios. Será, virá a carroça de pipoca como sempre, encostar-se em meus braços?
Ela olhou, aguçou os ouvidos e jura que viu o banco enlaçar em abraços uma carrocinha onde pipocas brilhavam... Ouviu até os “smacks” de beijos apaixonados...
Viu, ouviu. Porém horas mais tarde, acorda.
Fora apenas um bem inusitado sonho de amor!
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Elena e Lucía ― escritiva 29


Uma bela garrafa de champanhe foi aberta no Reveillon e separada da sua rolha e depois do champanhe. Ao princípio, sentia-se muito bem consigo mesma porque toda a gente estava a desfrutar com ela, mas depois, quando a festa acabou, começou a sentir-se vazia, sozinha, desgraçada e desolada. Por isso, só  queria chorar. Depois de muito tempo a pensar, ela deu-se conta de que fora humilhada e utilizada e enfureceu-se. Depressiva, decidiu atirar-se da mesa para morrer.
Elena Pereira Romero e Lucía Morante Parada, 18 anos, Salamanca, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio 135


Pedido Irrecusável
Benedito de Sousa, dono da papelaria da terra, considerava não ser delito, vender sonhos, misturando-os aos livros e papéis. Expedito, era o gáudio da criançada que, à saída da escola, por ali passava. De dentro da cartola da magia, saía, às vezes, a canção do larau, larau, larito, retirada dum velho manuscrito.
Certo dia, do bando fazia parte uma linda pequerrucha que, à laia de requisito, solicitou de súbito que só cantassem a cantiga do larau, larau..
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO


Maria José Castro ― desafio 135


Foi só um apito.
Ana, chegada do 
Egito
― uma prenda de fim de curso ―,
acordou e pensou: ― Estás 
frito!
Deu um 
grito e reclamou:  ― Eu tento dormir!
O miúdo, rira-se para dentro ― como era 
hábito ―, e pensara:
vou ver se a 
irrito…!
Vingança, servida gelada!
Duas semanas num 
maldito campo de férias onde o obrigavam até ― vejam só ― a fazer a cama, e ela passeando-se por aí. 
Os pais: só tens doze anos, filho!
Ora, que injustiça!
Maria José Castro, 57 anos, Azeitão
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO


Daniel e María ― escritiva 29


Maria é uma garrafa de vinho. Agora ela sente-se livre porque ela sempre quis ser uma garrafa com uma mensagem e viajar pelos mares. Maria passava muitas horas na mesma cave com o mesmo vinho e estava muito aborrecida. Num feriado, uns estudantes da faculdade resgataram-na e beberam-na. Os estudantes deitaram-na na praia de Barra e uma onda levou-a mar adentro. Então viveu muitas aventuras como a sua mensagem diz: “procura o que o teu coração quer”.
Daniel de la Fuente Martín, 20 anos, María Santiago Peralvo, 23 anos, Salamanca, prof Paula Isidoro
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos


20 fevereiro 2018

Escritiva nº 29

Fevereiro é o mês das histórias de amor, e eu sou toda uma lamechas que se emociona com qualquer história romântica.
De tal forma que às vezes dou por mim a pensar que sentirá uma garrafa de água com gás quando perde o seu precioso líquido, ou o quanto sofrerá uma embalagem de chocolate sem o seu querido docinho... Eu sei, eu sei, sou assim... apaixonada.
Pois bem, que venham daí essas histórias de amor entre objetos que se vejam separados contra a sua própria vontade.

A minha ficou assim:

Já tinha tido outras companheiras ilustres, vintage, de famílias abastadas e com heranças incalculáveis, mas nenhuma dessas companhias tinha aquela leveza, alegria, energia ou vivacidade. Viviam, felizes, um amor que sabiam ser efémero e procuravam, no fundo da prateleira, prolongar aquela história de amor condenada a diluir-se no tempo. E esse dia chegou: conscientes do momento, ficaram abraçadas a ver como destapavam o seu amor e como entre elas se interpunham, pouco a pouco, mão, copo, boca...
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 29 – história de amor de objetos