17 janeiro 2017

Feitiço

As mãos permaneciam imobilizadas apesar do esforço com que tentava desamarrar-se. Aquela feitiçaria era poderosa demais, mas havia um antídoto. Se ao menos se lembrasse qual era. Agora, arrependia-se de não ter prestado atenção às aulas da bruxa Numa. E não fora uma, nem duas, nem três vezes que ela se distraíra…
– Concentração. Vamos lá. Denieacação!
Nada.
– Nidecaeção! Aiiiiiiiiiii.
Os nós tornaram-se mais apertados, quase cortando-lhe a circulação. O tempo urgia.
– Canedição! Eu sabia que era capaz!
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
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Desafio RS nº 45 – «Eu sabia que era capaz!»

Ah!

Mexe-te, mexe-te, estúpido! Não vês que estás a empatar toda a gente?
― Cala-te, estúpida! Pensas que és esperta? Não é por me chamares estúpido que me mexo.
― Olha que espertinho! Aposto que se te perguntar se o céu está claro ou escuro, respondes errado!
― Por acaso até sou muito esperto, mas não dessa forma! E hoje o céu estava claro. E sei quando vai escurecer.
― Ai sabes??!! Por acaso sabes a diferença entre claro e escuro?
― Ah!!!!!
Marta Calé, 6ª A Nº 23, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio nº 112 – 3x5 palavras no texto

No Nada, Tudo, Muito e Sempre...

Olhou para aquela casa, já sem telhado.
Estaria alguém?
Algumas pedras, nas paredes, pareciam querer soltar-se.
Outras, caídas.
Pelo buraco que já tivera porta, entrou.
Nada, pensou.
Ou, na verdade, estaria ali Tudo, refletiu.
Sim, Muito.
Através da meia janela, viu o mar.
Imensamente azul.
No chão, de musgo e flores, sentou-se.
Respirou fundo.
No que resta desta casa, vivem todos:
O Ontem...
O Hoje, ao qual, estando ali, pertencia...
O Amanhã...
Olhando-se no horizonte de Sempre...
Paula Tomé, 44 anos, Sintra

Desafio nº 75 – frases de 7 e 2 palavras.

Bater o recorde

Quando eu cheguei da escola, fiz a mochila e vi que tinha que fazer os T.P.C. de inglês e português. Então fiz todos.
Quando era para ir para a escola lembrei-me que a professora de matemática mandou fazer 7 folhas do livro, há 7 dias atrás, porque ela iria faltar 5 dias! Faltavam 5 minutos… Então fiz tão rápido, tão rápido que escrevi com a borracha e apaguei com o lápis.
Mas consegui e bati um recorde!
Paulo Salvador, 6A, Nº 24, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira
Desafio Escritiva nº 13 – recordes pessoais

Passar de ano

Os meus projetos para o 6º ano de escolaridade são: estudar muito, aplicar-me, pesquisar bastante e aceitar todos os desafios e projetos propostos pelos professores.
Na minha opinião, a escola não é uma obrigação, mas sim um prazer, porque eu gosto de estudar, aprender e também fazer amigos.
Os professores já nos informaram que este ano vai ser difícil e estimulante, mas se nos esforçarmos e trabalharmos em equipa, vamos todos conseguir passar para o 7º ano.
Lara Polónio Gil, nº 22 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio Escritiva nº 12 – a escola…

Convicção

No princípio costurava sem moderação. Por impulso, por necessidade. Os dedos
pianolavam na máquina, melopeicos, o dia inteiro. Não tinha curso de letras, nem corte de costura. Só talento.
Lurdinhas, a costureirinha do bairro, quando a afilhada quis casar, prontificou-se a fazer-lhe o vestido. Sabia que seria capaz de o moldar, cortar, coser, casear, bordar... Houve desconfiança na parentela, mas acabaram por aquiescer.
Triunfante, e como todas as noivas, aquela foi a noiva mais linda do mundo!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

Desafio RS nº 45 – «Eu sabia que era capaz!»

Cuidado!

Num dia muito chuvoso, estava o super-herói que tinha um laço na sola do sapato que estava colada com cola, ele estava a vigiar cidade. Mas pouco depois aparece um feiticeiro que era gago e que não sabia dizer certas palavras. Então procurou dizer:
― Que grande seeecaaa! Vou-te congelar: lês, asco lês – eram as suas palavras mágicas.
Mas não acertou! O nosso super-herói meteu-o dentro de uma grande caixa com um enorme selo a dizer: Frágil! Cuidado!!!
Henrique Orge, Nº 17 – 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio RS nº 42 – letras de escola sem escola

16 janeiro 2017

Sem falar

Passavam poucos dias do Natal, quando apareceu por ali e foi visto a dormir na entrada do prédio. Rapaz de cerca de 30 anos, alto, moreno, educado, de gestos elegantes. Tímido, discreto.
Transportava uma mochila e desenhava num caderno. Nunca pedia nada. 
Ela começou por lhe deixar peças de fruta, iogurte, fatia de bolo. Não falavam.
Trocavam olhares, o dele agradecido, o dela preocupado. Passado algum tempo desapareceu dali. Ela passou a apoiar sem-abrigo.
O voluntariado enobrece.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Publicada no blog - www.macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

No andebol

A sua mão esquerda era fenomenal para os remates à baliza nos jogos de andebol.
O seu lugar de ala não estava em perigo, mas aquela entorse no dedo polegar era mesmo indesejada. 
A bola vinha projetada com tanta força que ao segurá-la, o dedo ficou dobrado e sentiu uma terrível dor.
O jogo não pára, a mão direita segura a bola até à baliza adversária. Remata num golo incrível. Afinal conseguiu. Eu sabia que era capaz!
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Publicada no blog - www.macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt

Desafio RS nº 45 – «Eu sabia que era capaz!»

Programas Rádio Sim - semana de 16 de Janeiro de 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, nas Giras - podem ouvir-se aqui
(ou pelos links que estão em baixo)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias


Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Programa Rádio Miúdos - semana 16 Janeiro 2017

A corrida de bicicleta
Remediar sempre lhe pareceu fácil. Quando tinha 5 anos, o meu pai comprou-me uma bicicleta. Um dia, fui com ele para o parque para fazer uma corrida de bicicletas. Arrancámos ao mesmo tempo. Entretanto, começamos a descer a grande velocidade. A minha câmara de ar rompeu e fui de boca ao chão. O meu pai levantou-me, pegou numas folhas de árvore do chão para estancar o sangue e remediar a situação. Afinal, remediar sempre lhe pareceu fácil.  
Jorge Branco, 16 anos, Liceu Técnico Navegantes, Torres Novas, prof Maria Nicolau
Desafio RS nº 43 - remediar parecia fácil

15 janeiro 2017

Com amor, Daniel!

Daniel corria campo aberto. Passava perna a quem o tentasse ultrapassar. Nos balneários agarrava na toalha e chibatava os colegas... Na sala de aula, escondia-se nas carteiras de trás. Menino travesso ainda tinha coração de oiro. Com conversas e sorriso de fogo brando, o coração de Daniel deixou voar a dor ― sem pena ― e mais um menino confiante se revelou... Traiçoeiro cancro invadiu-lhe a alma. Fogo bravo no amor. Pena densa no peito. Sorriso eterno na memória.
Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

A carteira

Vivia contando as migalhas que a vida lhe dava. Pobre, mas honrada, procurava transmitir aos filhos os valores em que acreditava. O trabalho levava-lhe a juventude e deixava marcas no corpo, que a custo escondia a verdadeira idade. Esgueirando-se pela porta, o procurador sustinha um largo sorriso. A mensagem foi breve. Oferecia-lhe uma reconfortante quantia pelo gesto do seu filho que devolvera intacta a carteira que encontrara. João entendia agora o significado da frase: A honestidade enobrece.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Pescador

O chinchorro “Conquistador” debatia-se numa história dura de contar.   
As ondas roubavam infinitas esperanças nas gentes.
Uma loucura ser alguém:
                                            ali... 
                                                    rodeado pela agitação das águas, que cravavam lágrimas no ar...
                                           aqui... 
                                                   que lançava rios de lágrimas, nascentes salgadas, no areal...
Tão próximos dos olhos... tão rasgados nos corações.
Gritos surdos das gaivotas ansiavam o peixe que os homens carregavam para terra.
Quis lengalengar uma reza... nada!
Mas venceram... chegaram.
Sempre vencem ao desespero do prato vazio.

Eurídice Rocha, 50 anos, Coimbra

Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa