31 outubro 2015

Epitáfio

Somos feitos de histórias. Das que vivemos, mas também de todas as que
lemos, ouvimos e (re)contamos. E das que nos faltam ainda viver, ler,
ouvir e (re)contar. Diz um provérbio (árabe ou africano?) que «um
velho que morre é uma biblioteca que arde». Será então que os homens
inventaram a escrita para se salvarem da morte e do esquecimento?
Nesse caso, não haverá melhor epitáfio para uma vida cheia: «…e foi
por isso que (me) escrevi».

Carlos Alberto Silva
, 57 anos, Leiria

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

O vazio delas… num sussurrar de boa saudade…

Setenta e sete é o número de palavras que gosto e gosto tanto, que mesmo afastada, bem mais de sete vezes, o vazio delas, das palavras, chegou a mim num imediato de magia que a caneta não parou; juntou-se à folha de papel e deslizou num gesto ritmado de palavras que se encadearam num sussurrar de boa saudade (e faltavam oito palavras que tiveram de sair) e saiu, saíram assim!... e foi por isso que me escrevi. 

Lucrécia, 55 anos, Agualva-Cacém
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»


Era uma vez…

Era uma vez há muito, muito tempo uma mãe cheia de medos e de angústias perante a educação a dar ao seu filhinho muito pequenino. Como fonte de inspiração e de preparação lia avidamente todas as publicações sobre a infância, a educação e o ser mãe. Um dia encontrou um desafio publicado na Pais e Filhos e a partir desse dia novos desafios se foram abrindo. Primeiro, muito timidamente, depois cheia de coragem em todos se escreveu…

Alda Gonçalves, 48 anos, Porto
Leiam mais textos aqui: Maçadejunho-mafaldinha.blogspot.com

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

30 outubro 2015

Programa Rádio Sim 630 – 30 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

Reminiscências
Ressoa em mim o que calou de nós. No silêncio, esvazio pensamento e sinto som da tua falta.
Um tanto de aritmética, contas sem métrica, soma de inteiras saudades, multiplicar de tempo e ausência, dividindo carência, subtraindo um quê de solidão. Restado infinito vazio.
Sombra ou peso da sobra?
Tua imagem de ontem de sempre, fala, riso, fundo de profundo olhar, quase tão nítidos, frequente. Tão real ou tão somente? Quase meu, presente. Doce disfarçar de assombração

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Nunca pensei neles como contrários

Vivia pacatamente a vida diária, sem pensar demasiado. Problemas, bênçãos, tinham sentença em adágio, ‘não há mal que sempre dure’; ‘o que abunda não causa danos’. Um vendedor da feira, ao ouvi-lo, zás!, lança-lhe ‘erva ruim dura 100 anos’; ‘todos os excessos são maus’. O outro fita-o atónito, desconfiado, mas não desarma. ‘Sê perseverante e triunfarás’. Logo a resposta: ‘tanto vai o cântaro à fonte que se parte’. Rende-se: – Uso provérbios, mas nunca pensei neles como contrários.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios

Amor em Roma

Rafaela foi a Roma
Em visita programada,
Instalou-se para Norte
Com outra rapaziada!

Um dia, num restaurante,
Tendo música e furor,
Cantava um lindo rapaz
Com uma voz de tenor!

E, sentiu-se irradiada,
Por aquele terno olhar;
Ia-lhe caindo o prato,
Ruborizada ao topar!

 Segurando ramo enorme,
Com a música acabada
Veio oferecer-lho à porta,
Perguntando-lhe a morada!

 Foi Amor à primeira vista,
Com uma grande paixão,
Que brotando, arrebatou
O seu livre coração!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio RS nº 14 – três trios de palavras em anagrama

Grande tosga!

Entusiasmado entra na loja dos trajes, para admirar as togas. Quer comprar uma pois já poderá usá-la. E não vai olhar ao gasto, quer a mais cara. É daquela que gosta. E já se imagina com ela vestida no meio dos seus pares. De regresso a casa, pendura-a no roupeiro. Dá comida aos gatos. Deita umas gotas de perfume no pescoço e vai jantar fora. Come bem e bebe melhor. Nem dá conta da tosga que apanha.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra
Desafio RS nº 27 – anagramas de G S T A O


EXEMPLOS - desafio nº 100

Sempre me senti atraída por aquilo que não compreendo. Há algo de mágico nas coisas, algo que fascina e me impulsiona na direcção de mudar esse estado de incompreensão. Incuravelmente curiosa, racionalmente louca, assim me descrevo. Sou simplesmente complicada. Sempre solitariamente acompanhada pelo carinho das palavras. Constantemente em conflito com o “porquê” do porquê. É difícil definir-me. Ainda mais entender-me! Sou humana, instintivamente apaixonada por esta procura de algo mais. E foi por isso que me escrevi.
Liliana Macedo, 17 anos, Ovar 

Tristeza
Era uma saudade imensa de quem partira, não para longe, mas para sempre.
Ao seu redor as pessoas passavam apressadas. Ela já não tinha pressa.
Mergulhava na noite escura com esperança de acordar com o sol a invadir-lhe o coração. Precisava do amor que não vinha, do carinho que não a abraçava, da palavra amiga que não ouvia. Buscava incessantemente uma alquimia que pusesse fim à solidão que a esmagava e foi por isso que se escreveu.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Era uma vez…
Era uma vez há muito, muito tempo uma mãe cheia de medos e de angústias perante a educação a dar ao seu filhinho muito pequenino. Como fonte de inspiração e de preparação lia avidamente todas as publicações sobre a infância, a educação e o ser mãe. Um dia encontrou um desafio publicado na Pais e Filhos e a partir desse dia novos desafios se foram abrindo. Primeiro, muito timidamente, depois cheia de coragem em todos se escreveu…
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

O vazio delas… num sussurrar de boa saudade… 
Setenta e sete é o número de palavras que gosto e gosto tanto, que mesmo afastada, bem mais de sete vezes, o vazio delas, das palavras, chegou a mim num imediato de magia que a caneta não parou; juntou-se à folha de papel e deslizou num gesto ritmado de palavras que se encadearam num sussurrar de boa saudade (e faltavam oito palavras que tiveram de sair) e saiu, saíram assim!... e foi por isso que me escrevi. 
Lucrécia, 55 anos, Agualva-Cacém

Epitáfio
Somos feitos de histórias. Das que vivemos, mas também de todas as que
lemos, ouvimos e (re)contamos. E das que nos faltam ainda viver, ler,
ouvir e (re)contar. Diz um provérbio (árabe ou africano?) que «um
velho que morre é uma biblioteca que arde». Será então que os homens
inventaram a escrita para se salvarem da morte e do esquecimento?
Nesse caso, não haverá melhor epitáfio para uma vida cheia: «…e foi
por isso que (me) escrevi».
Carlos Alberto Silva, 57 anos, Leiria

vida e seu resumir
 Jamais acreditei que poderia resumir sintetizar, pois que a vida é infinda. Mas é a vida também um exercício, uma partilha, um eterno desvendar... Então para mais um doce e singelo alegrar, pelas vias do destino, virtualidades atuando, descobri que 77 é um número diferente, especial.
Parti dele para uma aventura.
Fiz versos, e rimas,
Disse de amor em poesias,
Contei casos, tudo em 77 Palavras.
E foi exatamente assim, e foi por isso que me escrevi…
Roseane Ferreira, Macapá, Amapá, Extremo Norte do Brasil

Que fazer com os dias que me pediam mais? Havia a música, mas nem sempre era a que me doía menos.
E havia o desenho, a pintura. Mas também eles se me negavam e me fugiam como se a dizerem: Não nos és capaz, não o suficiente.
E havia a escrita. Aquela pauta imensa de emoções que me envolvia numa urgência absoluta e toda minha.
Nunca mais me senti só. E foi por isso que me escrevi.
Paula Coelho Pais, 54 anos, Lisboa

Há já muito que não te vejo. O tempo passa devagar, neste canto pestilento do mundo. Tive de me separar de ti. Tu bem dizias que ia ser assim e eu não acreditava. Agora cheiro o calor do deserto todos os dias e a saudade nem passa por aqui, de tão longe que isto é, mas penso em ti, sempre que a minha mente o permite, que o coração se lembra de bater. Por isso te escrevi.
Rosário Oliveira, 49 anos, Leiria

Escrita, recurso final
Matutava eu naquele dia, grosso problema entre mãos. Como fazer-me entender, sem talento nem convento?
Não sabia desenhar, e muito mal conseguia cantar. Desastrada no dançar, procurei palavrear. A voz, rouca, atraiçoou a vontade de dizer. O gesto desastrado derramou tintas e trinchas, avariou câmaras e telemóveis. Mas, no peito, o coração resistente persistia em apertar o pensamento, procurando uma saída para a ideia, o sentimento.
Nessa noite, nem dormi… e foi por isso que me escrevi.
Maria José Vitorino, 60 anos, Vila Franca de Xira

Um dia
Um dia, o meu relógio biológico segredou-me ao ouvido: é tempo de seres avó!
Logo saltaram historinhas dentro da minha cabeça: queremos sair, brincar numa folha de papel!
Lá comecei a alinhar umas quantas, daquelas que ouvimos em criança, que a minha mãe inventava para eu comer a sopa: Era uma vez uma carochinha de saltos altos, lencinho vermelho às bolinhas brancas…
Como contar uma história é dizer-se, escrevê-la será escrever-se! E foi assim que me escrevi!
Ana Maria Silva Santos, 61 anos, Seixal

Sonhei com palavras. Andavam num alvoroço, todas queriam ser as primeiras da frase. Esta, coitada, sentia-se impotente. Quem mandava era o parágrafo...
Fizeram um comício. Exigiam os mesmos direitos.  Por que carga de água as três «ERA UMA VEZ» eram sempre privilegiadas?
Então a página zangou-se. «Que iria fazer um livro só ilustrado, caso não se entendessem!» Foi remédio santo, conformaram-se.
Quando acordei, estavam arrumadinhas, prontas a saltar para o livro.
E foi assim que se escreveram...
Isabel Lopo, 69 anos, Lisboa

Desesperadamente precisava de escrever tanto. A cabeça é sempre a mil. Muitas vezes fica baralhada e nem sempre consigo fazê-lo para me reconstruir. Acordei, dei por mim a escrever há já duas horas. Não conseguia parar… É um alívio sentir esta arrumação das emoções. À noite vou dormir em harmonia, silêncio interior e sorrir a pensar no belo e nas pessoas que estão comigo a construir as nossas Vidas… Arrumo-me e é por isso que me escrevo.
Rita Caré, 39 anos, Carcavelos

No nosso mais íntimo guardamos o que com a alma ousamos esconder. Pintamos das mais diversas cores as emoções, os sentimentos, as sensações que se fazem nossas… Percebemos que as cinzentas cores emprestam mais realismo ao nosso mundo. E por que não partilhar? Descobre-se então que, com a palavra, é possível matizar e partilhar esse mundo, tão nosso… Deseja-se assim ser pintora com palavras. A magia transporta-nos para os outros… e foi por isso que me escrevi.
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Tempo, tempo, tempo...
Contra as dores do cotidiano, tempo, história em movimento.
Aparência franzina, atitude e forte presença de espírito. 
Dissipa aparente fragilidade, tempo. 
Respire fundo, seu poder era palpável, tempo.
Para matar a saudade, adulto sem jeito com criança. 
Ambição desmedida é de lei, dança da vida jogada fora.
Se terá fôlego para levar tudo isso adiante?
Ponha na cabeça que tem que ser sem drama.
Alarde, só se for para registrar.
E foi por isso que me escrevi.
Renata Diniz, 39 anos - Itaúna/Brasil

Escrita e (de)afectos
Escrever surgira a par de afectos, ou da falta deles. Sempre a partir de factos, próprios ou de outras gentes. As primeiras estórias- a incentivar, animar, espantar medos, acarinhar e amar, foram para as sobrinhas e o sobrinho, quando crianças. A escrita ficcional recente e a poesia têm outro destinatário. A alegria, o riso, o encanto; ou a dor, o desencanto e choro a bailarem nas palavras e nas frases, ‘e foi por isso que me escrevi.’
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Parabéns a você. Tenho um presente com um grande laço vermelho. Em cima há um cravo (os cravos são o meu desejo preferido).
Retirar o laço, por favor, com muita delicadeza. O conteúdo do caixote é 77 palavras. Que aconteceu? Perderam a ordem. Sinto-o. Agora deve ordená-las. Não se deve preocupar. Ajudo-a. Comece, como a canção com parabéns. E as últimas palavras, (aguarda) esta não, aquela também não, ah sim! E foi por isso que me escrevi.
León, Tristeza, Guinea Bissau

A  Sedução da Escrita
As palavras são o cerne do nosso entendimento. Por causa delas o mundo é plural mesmo no singular. Substantivadas, adjectivadas, verbais,  adverbiais...
Ubíquas, versáteis, miméticas, fantásticas, metalinguísticas.
Das tantíssimas prerrogativas, desafia-nos o blogue das setenta e sete. Fonte que jorra a cada dez dias, servida pela copiosa imaginação dos colaboradores.
Reino onde reina o poder de síntese e criatividade à solta. São as palavras que nos cinzelam. E nos modelam. E foi por isso que se escreveram.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 71 anos, Lisboa

Brincar é formidável!
Todos gostamos de brincar.
Uns preferem brincar em casa, outros gostam de brincar ao ar livre.
Brincar ao ar livre pode ser perigoso, devido ao trânsito e às pessoas más que fazem mal às crianças. No entanto, é mais saudável.
Existem brincadeiras perigosas, por exemplo brincar com espingardas e pistolas.
Passar o dia a jogar no tablet e no telemóvel não é muito saudável. Devemos brincar com bonecos, carrinhos, livros… e foi por isso que se escreveu!
Turma B, 2º e 3º anos, EB Galveias, professora Carmo Silva

Fazer soltar palavras adormecidas é tarefa de herói.
Eles mostram-se renitentes, escusam-se a usá-las pois são muito novos, inexperientes. Primeiro, têm de encontrar as palavras certas na densa floresta onde habitam. Depois, têm de aprender a acariciá-las e beijá-las (como príncipe que desperta a Bela Adormecida), devagarinho, para não estremunharem nem estranharem sair do sono profundo.
Foi assim que tudo começou. Ensinar os jovens a escrever. Provocar. Insistir. Não desistir.
E foi por isso que me escrevi.
Ana Paula Oliveira, 55 anos, S. João da Madeira

Olá a todos... Bom dia!
Sim... pareço uma tontinha mas... a esta hora,
duas e trinta da madrugada, já devo escrever
bom dia... culpa desta desgraçada insónia, que 
não me deixa ser abraçada pelo meu amado 
Morfeu e sonhar nos seus braços.
Ouço as belíssimas músicas românticas da Rádio SIM, 
a companhia ideal para quem tem de sonhar acordada, 
sem ter mais nada que me apeteça fazer a esta hora. 
E foi por isso que me escrevi!! 
Maria Cabral - Azeitão 

Dizem que filho do peixe sabe nadar, mas o meu pai era padeiro, e por isso eu, o filho, nunca tive vontade para escrever narrativas. Até um dia, quando descobri as Histórias em 77 palavras da Senhora Margarida.
Sabe! Se eu fosse rei Belga!, Já a nomeava para a ordem de Leopoldo.
Porquê?
Porque esse blog com desafios foi como que uma porta secreta que se abriu inesperadamente para mim, e foi por isso que me escrevi.
Theo De Bakkere, 63 anos, Antuérpia Bélgica

Os anos passaram, as crianças cresceram, nasceram os netos, os alunos foram chegando e indo. Conheci lugares e cenários diferentes, li. E tudo isso, sem palavras, ficava represado. Aí, foram aparecendo páginas onde elas brotassem, para registrar os acontecimentos e datas da família, as atividades da escola, os passeios na cidade e pelo país, as vivências e reflexões religiosas, as lembranças. Também conheci outras páginas e delas surgiram novas palavras. E foi por isso que me escrevi.
Celina Silva Pereira, 65 anos, Brasília, Distrito Federal, Brasil.

Escrever a brincar
Eu não sei se sei escrever,
Sei que gosto de brincar,
Brincar e trocar palavras,
Trocar e fazer rimar!

À noite, luz proibida,
Desde muito pequenita,
Tapava-me com a roupa,
Lia com uma lanternita!

Ora estes quebra-cabeças,
Deveras apaixonantes,
Apareceram-me agora
Com regras desafiantes!

Sempre gostei de escrever,
De escrever desta maneira,
É um jogo exigente,
Em forma de brincadeira!

Comuniquei com crianças,
Contei histórias, também li,
Parto, ficam lembranças,
E foi por isso que me escrevi!
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Aberração pela escrita, já estava alojada de tal forma, transformara-se em medo.
Reprimidas palavras, descrevem o que não é escrito. O papel é testemunho…branco e rasurado. Ler e ouvir histórias, era o mais apetecido! Mas não chegava… faltava algo.
Gostava de desafios, mas tentava sempre fugir a sete pés! As “Histórias em 77 Palavras” e os desafios da “Rádio Sim”, despertam para a escrita, colocando-me à prova! E foi por isso que eu me escrevi!
Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Desde criança que gostava de escrever! Por vezes dava por mim a divagar e saiam algumas linhas poéticas que ninguém lia. Guardei-as num caderninho e assim o tempo passou. Não segui o rumo da escrita e os números dominaram grande parte da minha vida. Por vezes sentia vontade de voltar ao caderno, mas algo inexplicável me paralisava. Há um ano atrás lendo as histórias em 77 palavras da Chica, entusiasmei-me, e foi por isso que me escrevi.
Emília Simões, 64 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Amizade aos livros
Tem doença que é forma de se evoluir, mesmo aposentada por invalidez, nada me detém. 
Há muitas contradições em mim mas sou fiel à minha vocação de escritora. 
Onde moro é  Avenida principal mas sempre entro em  mim e tenho a inspiração adequada, faz-se silêncio em mim! 
Escrever é o meu maior prazer, trabalhar em meus livros... 
Se eu não escrevo, nego a mim mesma uma enorme oportunidade de crescimento. 
E foi por isso que me escrevi.
Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

O reino das 77 palavras
Sempre gostei de brincar com palavras. E, de palavra em palavra, acabei um dia por descobrir o reino das 77 palavras.
A rainha Margarida, malandra, planta rebuçados nos campos, mas para os desembrulharmos, obriga-nos a ultrapassar desafios. E, alguns, que desafios!
Eu, que adoro lambarices, não mais parei de tentar ultrapassar todos os desafios possíveis para provar os sabores dos rebuçados.
Assim, dei comigo a criar coisas que nem imaginava.
E foi por isso que me escrevi.
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Atenção! Perigo!
Continuamos a ser invadidos por seres altamente prejudiciais. Proliferam nas paredes, no vestuário, em livros, nos ecrãs e até em corpos tatuados.
As mais perigosas atacam em grupos de 77 elementos e provocam profundas alterações nas vítimas que ao as escreverem e lerem ficam a acreditar que podem desejar, criar e voar com asas imaginárias.
Esta madrugada elas atacarão pela centésima vez: será irrevogável.
Se as virem informem imediatamente as autoridades.
Foi por isso que vos escrevemos.
Catarina Peças, 43 anos, Lisboa 

Ante las primeras señales, decidí fingir, decidí pensar que los dioses se habían equivocado y que seguramente una persona que se sabe todas las fechas, todas las capitales y monedas del mundo no podría perder nunca esa capacidad de sorprender al más común de los mortales con su humilde sabiduría. Pero te fuiste apagando, dudando, olvidando y yo te seguí... Te seguí hasta apagarnos a los dos... Ya no podía seguirte más, fue por eso te escribí.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 años, Salamanca

Outro começo
Ninguém quer a tragédia no Réveillon. As pessoas ficam à espera dos momentos ternos, desses que preenchem o espírito pelas novidades, pelo começo imprevisível.
A praça de Madrid levava-me pelo solo vibrante, agitado com a energia dos milhões de corpos como o meu, todos sob os efeitos do doce vinho. Quis ir embora. E enquanto estava a caminhar pela Av. Gran Vía, uma árvore que gostava de cabeças, e particularmente da minha, deixou-me acamada no chão molhado.
Andrea Crespo Madrid, 20 anos, Salamanca, Espanha (mas nascida em Valencia, Venezuela).

No princípio era o silêncio numa concha deixada esquecida no fundo do Mar.
Depois, o fôlego dos corais a cintilar
E nos ângulos das ondas
Nas rectas das marítimas sondas
Surgem as gaivotas a conversar;
E transportado o tempo pelo vento
Mais um desafio para olharmos o navio.
E na erosão do invisível
Eis que surge o desafio cem
Mostrando que é possível
Escrever e ir mais além
E foi por isso que se escreveram estas palavras!
Ana Mafalda, 45 anos, Lisboa

Alguns dias estava contente, satisfeito e entusiasmado de felicidade. No entanto, outros, parecia como se uma nuvem preta estivesse  pendurada por cima dele, sem deixar ver o sol, a luz, o fim do escuro, misterioso e incompreensível túnel que é a vida. Mas sempre, quer nos bons dias, quer nos maus o único que conseguia relaxar e calmar a sua mente era inventar um desafio de 77 palavras... e foi por isso que te começou a escrever.
Jesús del Rey, 46 anos, Salamanca (Espanha)

Piquenique
Eu queria ir ao jardim
Fazer um piquenique
Mas para estar mais à vontade
Resolvi ir para o bosque
Tinha sardinhas, pão e queijos
Para o piquenique era pouco
Pus-me a pensar como um louco
Misturei tudo com abraços e beijos
Comprei tomate e umas febras de porco
Juntei pimentos orégãos e pepinos
E no bosque cheio de flores
 Fui com meu amor e os meninos
E assim fiz estas quadras
Foi por isso que se escreveram.
Maria Silvéria dos Mártires, 69 anos, Lisboa

Era difícil não amar uma vida tão simples e completa, oásis de paz e calma, isolado de um mundo em ruptura. Mas olhava para a neve onde nos declamávamos o dia todo, e éramos tão poucos, e tão frágeis...! Temia imenso, nada pelas nossas vidas, muito pelos textos em nós. A resistência que levávamos era tão pacífica como passiva, e eu precisava de agir. Não aguentava aquele intervalo e incerteza, e foi por isso que me escrevi.
Tomás Barão, 20 anos, Palmela

Um novo livro
De tanto que te amei simplesmente deixei de existir.
Num amor insano em que nada davas, apenas recebias. Percebi isso quando precisei de ti e riste da minha dor! 
Profundamente magoada decidi partir, deixar tudo para trás, principalmente tu. 
Voltaria a começar, como se de um livro se tratasse, mas um livro em branco onde eu serei a escritora. 
Assim fiz num dia de chuva, parti decidida a começar uma nova vida.
E foi assim que me escrevi. 
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

A origem das histórias
Sinto a urgência de sonhar um mundo melhor. De usar as palavras como armas pacificadoras, capazes de mudar o meu, o nosso mundo.
A criatividade teima em ganhar vida própria, em deixar de ser ideia e, através das palavras que se espraiam nas folhas de papel, transformar-se em personagens específicas, em histórias que contam momentos.
É tão bom quando uma história desperta emoções sinceras: uma lágrima fugidia, um sorriso pensativo…
E é por isso que me escrevo…
Margarida Leite, 47 anos, Cucujães

Faz tempo descobri este passatempo fantástico. Pensei juntar-me ao "clube dos fantásticos". Depois descobri a autora do mesmo, então sim, não pensei mais. Já conhecia a Margarida, já conhecia suas iniciativas sempre apelativas, já partilhávamos amizade.
Foi assim que, sem saber escrever, cheguei embora tropegamente ao desafio cem.
Lamento não termos comemorado a ocasião tomando juntos o tal chazinho há tanto planeado, trocando nossas impressões.
A escrita é um balsamo, e foi por isso que me escrevi. 
Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo

Escrevi-me…
Ai meu Deus, o que eu escrevi!
Terá sido um erro que cometi,
Ou uma dica que ficou para mim?
Cairei em erro ou tentação?
Que farei além de escrever até mais não?

Pois escrever faz-me entender.
É como ao espelho me ver…
Quando me escrevo, me leio,
Mas quando vivo, não vejo meio.
Esta é a minha vida, nem reparei...
Ainda bem que a anotei!

Mais aprendo sobre mim
E foi por isso que me escrevi.
Soraia Salgado, 10 anos, Torres Vedras

Sem palavras
Desabrocham na ponta do lápis
Inventam-se as frases teimosas em palavras decompostas
O verbo opõe-se ao estar
Volta-se contra o sujeito
Reclama o predicado dos lugares
Geometricamente desenhados.
E, finalmente cansado das palavras teimosas
Metaforicamente remata
O mar é como um apagador
Das palavras escritas nas ondas.
E o poeta silenciou a gramática
Libertou a essência da palavra
Com sons e gestos
Conversou com o sujeito
E reafirmou
Eu sou
E foi por isso que se escreveu.
Fátima Veríssimo, 55 anos, Seixal

Quero falar, gritar, esbracejar e tirar tudo o que cá dentro me aperta e quer sair. Emoções, paixões, razões, opiniões… Tudo aquilo que faz de mim o que sou e o que gostaria de ser. Tudo aquilo que me faz sentir feliz e triste, com esperança ou desesperado.  Seria como a imagem que tenho de mim, seria um sonho ou pesadelo. Seria um homem novo e feliz. Mas não consigo, e foi por isso que me escrevi.     
Tiago Viana, 39 anos, Parede, Portugal

Toco o sol da minha existência
Olho as estrelas, o mar a noite. O vento sopra numa carícia transparente.
Alerta, afirma ou sugere?
Sinto ondulações que me despenteiam, em sucessão de movimentos articulados, erguendo uma vaga que me envolve, fazendo-me carícias faciais. Afagos duma brandura calmante, embalando-me, tal como um colo maternal. 
Corrente que me ampara e protege, adoça e sustem!
Ergue-se o meu ser, o meu âmago, levando-me a tocar o sol da minha existência.
E foi por isso que me escrevi. 
Fernanda Costa, 54 anos, Alcobaça

Decidiste ir embora há 25 anos. Tanto tempo!!! Tão distante!!!
Outrora, submersa em obscuridade e inconformismo, anotava o primeiro, o segundo mês, o primeiro ano…
Hoje, anoto a data com a tranquilidade e a nostalgia de uma mulher crescida? Concebo que cada um possui livre arbítrio? Imagino que este mundo seria minúsculo para ti? Acredito que te encontraste aí? (Suspiro)
Hoje pensei (mais) em ti, pensei muito (mais) em ti! E foi por isso que me escrevi!
Mireille Amaral, 40 anos, Gondomar

É preciso regar as flores
Há uma papoila vermelha que floresce no terreno cinzento da minha mente. Devido a ela deslizo em contracorrente neste mundo incerto e sofredor, flutuando em estranha alegria. Perguntam-me a causa desta alegria? Respondo: uma papoila vermelha floresce dentro da minha cabeça e muitos julgam-me doida; outros interrogam-me encantados: Como a semeaste? Não sei, mas rego-a todos os dias, digo-lhes.
Foi, por isso, que me escrevi na vida com a máxima “Não te esqueças de regar as flores.”
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa

Foram décadas de lágrimas, 
choradas num barco, no meio de um remoinho,
à espera de afundar.
Lutei contra as tormentosas ondas sem saber
se as venceria. E, pela força de Deus,
cada luta superada, vencedora me sentia.
Foi-me a vida iluminada, com a vinda dos meus filhos.
E neles depositei a força, e a esperança da minha continuação.
Pelos sonhos já passados e que são agora lembrados,
pelos netos, já nascidos,
A RAZÃO, DE EU ME ESCREVER.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

São momentos difíceis, a inquietude e a desgraça assombram (os melhores momentos). Não se aproveita, não se deleita, a negra sobra impede tal querer.
Outrora, apenas memória, muralha sólida construída nos pilares de uma vida de luta, suor, sacrifício e plena de emoções…
Ruiu… o vento consigo levou o que sobrou…
Os locais, as moradas habituais, pontos percorridos de pés descalços.
Perdeu-se a essência ficando a mera presença física do ser – foi por isso que se escreveu.
Rita Neves, 38 anos, Sardoal

Escrevi-me entre uma palavra e outra, como se escrever-me pudesse salvar a minha alma daquelas palavras que já não diziam nada. No pensamento o dia de ontem, com o seu nevoeiro e a sua solidão que tanto se arrasta, mas por que tanto ansiava. Escrevi-me, como se escrever-me pudesse salvar-me de mim própria naquele fim de mundo e como se, ao reler aquelas palavras pudesse ler também um pouco de ti. Foi por isso que me escrevi.
Anabela Risso, 24 anos, Évora

Cansada, desencantada… O mundo ruiu, pelo menos aos meus olhos. O mundo simula, finge, diz o que se quer ouvir, o conveniente. Dele não brota sinceridade, humildade, solidariedade. A verdade é uma miragem. O meu coração aperta de solidão, absorve o que a boca não diz porque não tem quem ouça sincera e atentamente. Anseia por uma amizade gémea, por um desabafo seguro. Sinto-me tão só. Só no meio da multidão. Foi por isso que me escrevi.
Fátima Fradique, 41 anos, Fundão

Escrevi por fim!
O nervosismo não arruinou as letras, minhas amigas, companheiras em noites sombrias. E expus meu semblante bravio ao mundo. Sem questionar se este me aguardava, deixei transparecer a criatividade que até então aprisionara. Ao serviço das palavras, fizeram de mim serviçal eloquente. Não me embargava a dificuldade sacrificial, o prazer de espelhar-me sobrepunha-se ao distender do pensamento.
Não me interessava fama ou o que o mundo pensasse de mim.
Amo escrever.
Escrevo porque sim!
Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras

Há momentos em que precisamos de apoio para avaliar situações que nos inquietam. Opiniões sinceras podem fazer a diferença no caminho…
Percorri no telemóvel a gigantesca lista de contactos. Só dois interessavam.
O primeiro… desligado; o segundo tocou e nada!
Que diria eu a alguém no meu lugar?
Enquanto palavras, inesperadas e reveladoras, deslizavam na folha, pensei:
Não posso procurar sempre nos outros as respostas, quero encontrar-me, ouvir-me, sem medo. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer

Era um sonho recorrente. Que caía sem amparo mas que no fim tudo corria bem. Sentia-me Alice no tubo das árvores, ao contrário, pelo meio das suas raízes e eram vários os coelhos e os gatos que me acompanhavam. Uns diziam coisas engraçadas. Animavam-me. Outros, nem tanto. Recordo ainda hoje as suas expressões. Tantas, quantas as flores dum prado. Eram sonhos, sim. Mas não é também assim composta a realidade? E foi por isso que me escrevi.
Paula Coelho Pais, Lisboa, 55 anos
 
Em mim, cá dentro, a emoção, em tudo o que vivo e sinto.
Está sempre lá. Umas vezes, intensa. Outras, muito leve.
Envolve os meus pensamentos, as minhas vontades.
Ao agir, procuro nela o equilíbrio com a razão.
Sempre assim foi. Hoje, ainda é. Amanhã, estou certa, assim será.
Assim sou e existo.
E quando, cá dentro, Tudo é Muito, valem-me o branco do papel e a dança das palavras.
E foi por isso que me escrevi...
Paula Tomé,
 44 anos, Sintra

Ao longo destes anos, muitos têm sido os textos que fui incentivando os meus alunos a escrever… Estratégias atrás de estratégias, todos eles têm vindo a descobrir o prazer pela escrita, por criar, recriar, inventar e reinventar. Tenho passado horas a deliciar-me com os seus maravilhosos textos, até que deixei de ter tempo para eu própria escrever… Um dia, parei, tirei tempo para mim e fiz o que mais gosto… e foi por isso que me escrevi.
Raquel Candeias

Acordei cedo com um frio no estômago que me remetia para um inverno irlandês de há séculos que não recordo. Uma tristeza sombria toldava-me o olhar perdido no dia que se aproximava com pezinhos de menina com medo. Na caixa que dormia ao lado da cama, missivas com carimbos militares de portos e bases desmaiavam de solidão, sem resposta. Foi então que decidi não perder mais uma palavra com ele... e foi por isso que me escrevi.
Filomena Mourinho, 43 anos, Serpa

Alzheimer… que doença terrível ladra das nossas memórias! O medo de esquecer todos aqueles momentos maravilhosos ou que nos colocam à prova e, que nos vão construindo enquanto pessoas, motivou-me a escrever sobre os melhores e piores acontecimentos da minha vida. Comecei a fazer um diário. Muitas vezes faltaram-me as palavras adequadas para descrever essas situações, mas o medo de um dia caírem no esquecimento, foi superior à dificuldade encontrada… e foi por isso que me escrevi.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo, Alentejo

Por vezes, a vida gasta-se numa velocidade veloz, impossível de saborear o seu melhor. Por outras, queima-se na inércia de não saber o que fazer. E são tantas as oportunidades que escapam. Saber agarrar cada uma é arte. Estar com os que nos são queridos, ajudar quem precisa, conhecer pessoas novas, ajuda a dar sentido à vida. Mas na ausência dos outros, há sempre um lápis e um papel. Uma companhia indispensável. É aí que me escrevo! 
Mariana Sanchez, 38 anos, Barcelona

As palavras revelam algo fascinante. Escondem também. E cada combinação pode resultar numa mistura poderosa que surpreende e continuará a surpreender. Mesmo que se leia as mesmas palavras mais do que uma vez.
Pôr palavras num papel é revelador do que somos, fomos ou seremos.
Palavras que nos saem agora serão porventura estranhas daqui a uns anos.
Espero, um dia, quando me cruzar com certas palavras, ficar contente por as rever.
Foi por isso que me escrevi.
José Jacinto Pereira Peres, 44 anos, Castro Verde

Sinto-me só, tão só, tão entregue a mim mesma!
Sabes, quando existias na minha vida, não sentia este vazio na alma.
Os dias começavam alegremente; eu escrevia-te uma carta de amor, enquanto música romântica me embalava o coração.
Quando me abandonaste, morreram as palavras e a música, até que decidi parar de sofrer.
Comecei a escrever um diário falando comigo mesma sobre os meus sentimentos, para aliviar angústias e amarguras... e foi por isso que me escrevi!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Tantas palavras a pedirem chão, tantos silêncios a reclamarem ser reticências, tantos encolher de ombros sem eira nem beira, tantos olhares que falam, tantas respostas vagas a pedirem mais tempo e a vida a acontecer nos entretantos e adiar para um qualquer depois que pode ser tarde demais a poesia dos dias vãos. Os dias passam e o que era essencial fica soterrado por uma pilha de roupa por passar e foi por isso que me escrevi!
Paula Cruz, 42 anos, Viana do Castelo

Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça sem dar tréguas. Percebi que não podia continuar a ser a rapariga simpática, disponível para tudo e todos mas sem tempo para si, sem tempo para viver.
Olhei-me ao espelho, vi um rosto desmaiado, sugado por vidas alheias. E aquele silêncio obsceno que em mim vivia… soltou-se.
Aprendi a amar-me nesse instante. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer

Tantas palavras a pedirem chão, tantos silêncios a reclamarem ser reticências, tantos encolher de ombros sem eira nem beira, tantos olhares que falam, tantas respostas vagas a pedirem mais tempo e a vida a acontecer nos entretantos e adiar para um qualquer depois que pode ser tarde demais a poesia dos dias vãos. Os dias passam e o que era essencial fica soterrado por uma pilha de roupa por passar e foi por isso que me escrevi!
Paula Cruz, 42 anos, Viana do Castelo

Gosto das Pessoas, sinto ternura pelos Animais, amo o Planeta, o País onde nasci.
Fascinada pelo Mar, recordo o Primeiro Encontro, tinha eu seis anos.
Recordo que parei a meio da rampa, em Santo Amaro de Oeiras….
Compreendi nesse dia o sentido da palavra INFINITO. Não sei de forma que melhor o defina. No Mar, encontro Deus. 
Encontro-me, sem artifícios, sem desculpas, com rigor.
Sei, sinto que faço parte dele, e foi por isso que me escrevi.
Margarida Freire, 75 anos, Moita