30 setembro 2016

EXEMPLOS - desafio nº 111

Que pena…
Visita de uma cunhada italiana, idosa, faladeira, não muito chegada aos banhos, portanto, nos raros momentos silenciosos, ainda assim, uma quadra distante, podia-se senti-la!
Como atender a casa, os filhos e estudar para a faculdade se a matraca ao lado nada permitia, como?
Dois meses para que fosse embora. Certa noite sonhava.
– Aloooooooooooooooooooô!!! É do 111?
– Sim, 111, em que a posso servir?
Deportem uma vecchia signora, antes que...
Assim a patrulha o fez!
Infelizmente, fora sonho!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil

Está lá? Fala do 111?
– Olhe, minha senhora, deram-me este número, para o caso de eu me querer ir embora. Sabe... Meteram-me nesta casa, um pouco esquisita, estou rodeada de malucos e eu não quero ficar como eles.
Ai pobre de mim, deixaram-me aqui abandonada e eu sem poder fazer nada.
Será que me pode ajudar? E eu agradecia-lhe tanto.
– Ah, bom!... Já percebi porque é que ligou, para o Jardim Zoológico.
Só me faltava mais esta...
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Tigre Enjaulado
– Ligou para o 111, a linha de ajuda para quem se sente aprisionado pela vida, o meu nome é Micael, em que posso ser útil?
– Sinto-me um tigre enjaulado. O que faço para não arranhar o próximo que entrar no meu gabinete?
– Porque não vai dois ou três dias de férias?
– Impossível.
– Que tal mudar de emprego?
– Você pirou! Acha que há para aí empregos ao pontapé?
– Bem, então saia e vá comprar um saco de boxe.
Quita Miguel, 56 anos, Cascais

A musa ausente
– Linha 111, boa tarde. Como posso ajudar?
– Boa tarde. Precisava de saber se a minha musa está de serviço hoje.
Quero escrever um texto para o blogue das 77 palavras e estou sem
inspiração nenhuma.
– E quem é?
– Quem, eu? Sou o Carlos.
– Não, a sua musa…
– Ah! A minha musa, claro. É a caliope1958.
– Tenho pena, mas a caliope1958 só atende às terças e quintas. E hoje é sexta.
– Ora bolas! Pronto… obrigado.
– De nada.
– Pois…
Carlos Alberto Silva, 58 anos, Leiria


– Bom dia, linha 111, achados impossíveis. Como posso ser útil?
– Estou em pânico! Desespero total! Preciso de ajuda urgente! Perdi as ideias. Todas. Não sei onde as deixei, nem onde procurá-las. Não sei o que fazer!
– Vá com calma, tudo tem solução!
– Onde? Como? Quando? (gritos…)
– Vá à internet, procure o blogue 77 palavras. Lá, encontrará todas as ideias fantásticas. Apenas se arrisca a ganhar outro problema: dificuldade em escolher. Mas, para isso, pode usar outra linha!...
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Era do Zoo!!!
Saímos antes do jantar. 
No regresso, meu marido encontrou um amigo, ficou a pôr a escrita em dia, prometeu não demorar.
O que não aconteceu!
Preocupada, liguei o 111. Era lá que tinha ficado.
– Boa tarde.
– Sim, por favor, sabe se o meu marido está demorado?
– Está na jaula 77... mas ainda há outros animais para consultar!
– Para... Desculpe, foi engano.
O meu marido tinha ficado no 111, mas este era o nº da porta do amigo.
Rosélia Palminha, 68 anos, Pinhal Novo

– Está lá? É do 111?
– Sim, fala a Marta!
– Eu sou a Felisberta. É da Linha da Boa Disposição?
– Sim, faça favor de dizer.
– Sabe, menina Marta, aqui onde moro andam todos tristes e até os animais se mostram cabisbaixos.
– Quer a minha sugestão?
– Sim, claro.
– Coloque um sorriso nos lábios, saúde os vizinhos e acaricie os animais.
– E a receita?
– O sorriso e simpatia operam milagres.
Emília Simões, 65 anos, Mem-Martins (Algueirão)

Liguei p´ro cento e onze
Desde a semana passada
Para saber aonde
Se pasma sem fazer nada.
Do outro lado da linha
Colocaram-me em espera
E dissera-me que tinha
Dois milhões, também à espera.
Pasmo nessa demora
Fico prá ‘qui a pensar
Nada me diz a senhora,
Quando me irá falar?
Liguei pró cento e onze
Ainda não disseram nada
Espero ganhar bronze
Por esperar ao sol, sentada.
Enquanto pasmo na espera
A vida, essa, não pasma.
Susana Almeida Rodrigues, 51 anos, Ponta Delgada

– Estou sim? Fala da linha de apoio às pessoas hiperactivas?
– Não, minha senhora. Ligue para o 1111.
– Ai desculpe. Sou tão despistada!
– Espere! Não desligue!
– Não desligo?
– Não, não desligue!
– Mas acabou de me dizer que devia ligar para o 1111.
– Pois foi...
– Então?
– Sinto-me sozinho...  Preciso de falar.
– Olhe, desculpe o comentário, mas trabalhando numa linha destas, deve estar farto de falar com pessoas.
– Estaria se esta não fosse uma linha para pessoas com 111 anos.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca

 
– ALOOOÔU…
– Boa tarde, aí é da linha de atendimento 111? 
– Sim, em que posso ajudar, meu Senhor?
– Aqui quem fala é o Pafúncio.
Venho tentando ligar para este telefone, mas está sempre ocupado.
Hoje é que eu consegui, enfim, falar com vocês.
Estou com um probleminha aqui em casa, sabe?
Estou muito chateado, e tomei uma decisão...
Pensei, pensei, e então resolvi perguntar.
A minha mulher Maroca deu grave defeito.
Está toda empenada...
Vocês  consertam Maroca velha???
Verena Niederberger, 65 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Incalculável
Serviço Pureza, Paz, Alegria e Propósito?
Tem solução para a profundidade da miséria da humanidade arruinada?
Promessas para libertar a influência do mal?
Mães esforçadas em preservar o caráter dos filhos?
Pais vigilantes pelo amor à verdade e justiça?
Famílias experimentadas no trabalho ensinado?
Sociedades em ordem que promova o conforto de todos?
Humildade que assuma o poder que vem do alto?
Sem conseguir conter a alegria correram para cumprir,
Mais 111 vezes a lição que receberam.
Renata Diniz, 40 anos - Itaúna/Brasil

Azaritos
A telefonista, na frase batida:
– Posso ajudar?
– É do 111, atendimento permanente às vítimas da sorte macaca?
– Exacto.
– Venho pedir acesso à sorte sortuda; a sorte miudinha já ajudava.
– Falou para o sítio certo.
– Que alívio!
– Mas hoje não é possível atender o pedido.
– Então?
– Acabaram-se os formulários e o presidente tirou férias.
– E o vice?
– Esse anda a macaquear faz tempo.
– E agora?
– Espere que a sorte macaca se chateie e vá chatear outro.
– Que macacada!!!!!
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa

– Acabou de ligar para a linha de atendimento 111, fala o Félix?
– Bom dia, o meu nome é Feliz, Maria Feliz.
– Bom dia, Senhora Feliz. Como posso ajudá-la?
– Caro Félix, o seu trabalho é tão difícil e esgotante, portanto decidi ligar-lhe e desejar-lhe um dia maravilhoso para que o seu dia se torne ainda melhor.
– Agradeço-lhe e retribuo, e sim, acabou de tornar o meu dia muito mais feliz. Adeus, Senhora Feliz.
– Adeus, Félix. Tudo de bom.
Isabel Pinela Fortunato, 43 anos, Amadora

Estou sim? É de Trás-os-Montes 
Ali estava o 111 escarrapachado no velho telefone. Desde pequeno que aquele número me perseguia. É que o meu pai adorava ouvir o Quarteto 1111. Mal sabia ele o que viria a acontecer quando um dos membros da banda decidiu maldizer as mulheres transmontanas. Como a minha mãe nasceu e cresceu em Chaves, nunca mais se ouviu aquela banda tocar lá em casa, nem mesmo quando ela se fechava na casa de banho a remover o buço.
Fernando Guerreiro, 40 anos, Odemira

A Confusão
Ligou 111. Auto Reparadora, fala o Simões, em que posso ajudar?
Amigo partiram-me agora a janela.
É engano. Aqui não arranjamos janelas.
Acho que não me expliquei bem, não é a janela é o vidro.
A vidreira é o nº 107 
Mas é o vidro do carro! 
Já podia ter dito homem. Marque o nº 111 e peça para falar com o Simões, o tipo trabalha muito bem.
Obrigado, amigo. Peço desculpa pela confusão, vou já ligar.
Natália Fera, 59 anos, Moita

A – Boa tarde! Esta é a linha dos lares de idosos?
B – Não, essa linha é a 111, e esta é a 11.
A – Então peço desculpa, com licença!
B – Com licença porquê?
A – Porque vou desligar!
B – Mas não pode desligar ainda!
A – Porquê?
B – Porque tem de estar a falar comigo por 111 segundos!
A – Mas eu tenho família e coisas para fazer, desculpe, vou desligar!
B – Se desligar, não saberá o que vai ganhar no fim...
A – Piiiiiii...
B – Todos desligam e eu...
C – O seu tempo acabou...
Maria Mota, 13 anos, Lisboa

Adolescente tipo
– Boa noite, linha 111, atendimento permanente a mães analfabetas, de adolescentes modernos:
– Boa noite, preciso de ajuda para compreensão do dia do meu filho. À minha pergunta: "como te correu o dia", respondeu:
– Ya, foi fixe! No autocarro peguei cola na fila com o Manu. Quando chegámos à escola, a malta já ‘tava a dar estrilho e não sei quê. Mas ´tá-se. Ao fim do dia fiquei mais um coche, a ver umas cenas, tipo, sabes como.
Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

 Não encontro
– Podem socorrer-me, por obséquio? É do 111?
– Sim, às suas ordens.
– Aqui está um pandemônio. Estou tonta. Não sei o que fazer.
– Em que podemos ajudá-la? Dê-nos o endereço.
– Os meninos continuam falando sem parar após o intervalo de aulas, não se acomodaram ainda nas carteiras. Alguns estão em pé ao fundo da sala, em um grupo bem agitado, mexendo nos celulares e eu não encontro...
– O quê?
– ... o silêncio. Podem conseguir para mim um bem grande?
Celina Silva Pereira, 66 anos, Brasília, Brasil

– Boa noite, é do 111?
– “111 Sempre em Festa”! Faça favor de dizer.
– Preciso que me ajudem a organizar a festa de aniversário da minha tia.
– Mais uma senhora a completar uma idade linda! Passo a um colega, o meu turno acabou.
Deu-me várias sugestões divertidas.
Chegado o dia, fiz um brilharete: ela riu tanto que largou as muletas para dançar!
Espero que haja uma linha 112, pensei, não tenho imaginação para igualar o êxito deste ano!
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer

Está lá?!
– Está lá?!
– Linha 111, bom dia, fala Pascoal. 
– Bom dia, a Margarida?
– Está de férias.
– Férias?! Mas ela costuma ajudar-me.
– Eu estou aqui para a ajudar.
– Não sei... Quero escrever uma carta ao meu filho.
– Uma carta?! A senhora sabe para que serve esta linha?
– Claro! Por isso estou a ligar. Preciso de ajuda.
– Aqui não apoiamos bem isso, é apoio à escrita, entende?
– E a carta é o quê?!  Olhe, quando volta a Margarida?!
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

É do 111?
– É sim...
– Mas que linha é essa?
– Ajuda a pessoas esquecidas.
– E como sabe que eu sou esquecida?
– Foi a Senhora que me ligou...
– Liguei-lhe? Só se foi porque perdi os óculos de guiar...
– E já os encontrou?
– Não…
– Procurou na sua cara?
– Que ideia!
– E na sua cabeça?
– Cabeça?... Boa, estão na do meu marido!
– Ótimo, já pode guiar....
– Guiar como?
– No seu carro...
– Mas eu queria era saber onde está o carro....
Isabel Lopo, 70 anos, Alentejo

O telefone tocava, prolongado.
– Estou?
– Boa tarde, já conhece a nossa ação 111?
– Sou Joãozinho. Rua de Bonfim. Tenho quatro anos.
– Ó menino! Quer chamar sua mãe?
– Olá! Sou Joãozinho. Rua de Bonfim. Minha mãe não está.
– Coitado! O menino está sozinho!
– Não, estou com minha irmã em casa.
– Então chama a irmã.
– Olá, sou Joãozinho....
– Isto já sei, mas quero falar com sua irmã a respeito duma sondagem.
– Ó Senhor! Eu não consigo tirá-la do berço!
Theo De Bakerre, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

A criatividade ligou a desafiar a esperança para criar uma linha de atendimento gratuito. Seria a linha 111, cujo objetivo era enviar, a quem necessitasse, palavras de incentivo para um mundo melhor. Um dia, receberam uma estranha chamada:
– Daqui fala a inveja. Pode dizer-me como consigo ser feliz?
– Sem dúvida! Experimente o nosso tratamento à base de altruísmo. Resulta!
Tempos passados e por falta de pessoas empenhadas, a linha fechou. Anunciava-se uma tremenda catástrofe para a humanidade.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Pertenço a um restrito número de pessoas únicas; as nº 1.
Sofro horrores pela ignorância obsessiva dos nºs 2 e seguintes. Pensam eles que não sou eu o princípio de tudo. Ah-e-tal, é o verbo; ah-e-tal, é o ovo! Uma ova, é o que é!
Conheço outras vítimas como eu: o número 1 da parvoíce; o primeiro da estupidez; a lebre dos sem caminho.
– Está? É do 111?
– Sim, senhor. Serviço permanente de apoio aos sem juízo.
Fernando Morgado, 61 anos, Porto

Linha 111
– Fala do atendimento?
– Daqui é caso bicudo…
É o meu convencimento
Da minha falta de tudo!

Que me pode sugerir?
Só consigo ver problemas…
O cento e onze pode vir
Resolver os meus dilemas?

– Domicílios não fazemos,
Mas há sempre solução…
Ora, então, analisemos
A verdadeira questão!

– A sua falta é dinheiro?
Problemas psicológicos?...
Ainda tem mealheiro?
Seus casos são patológicos?

Então vai ficar curada!

Das suas economias
Mande quantia avultada,
Seremos sempre seus guias,
Ficará «aliviada!...»
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

77 PALAVRAS?
Caligráfica não parava. A morte abeirava-se: líquida, brilhante, negra... Acordou histérica mesmo antes de morrer afogada. Rebolando contra o tinteiro, a preciosa caneta partiu uma das extremidades do seu aparo.
O tinteiro, caído, derramou-se para cima do papel de algodão. Caligráfica atirou-se ao papel e, com a ponta ainda inteira, escreveu uma mensagem coxa: 
Chamem o 111! Na hora da nossa morte tresanda a tinta negra.
Não há mais como escrever histórias. Perder-se-á para sempre o pensamento...
Rita Caré, 40, Carcavelos

Rúben o robô
Linha da felicidade
Caros ouvintes, tenho, junto a mim, Armand Bissous, director da linha 111. Bom dia, pode falar-nos um pouco sobre esta linha?
– Bom dia. Esta linha surge para colmatar uma lacuna que existe na sociedade.
– E trata de quê?
– Ora bem, trata de tudo e de nada.
– Pode ser mais específico?
– Como assim?
– A linha apoia o quê, especificamente? 
– Pessoas felizes.
– Desculpe. Mas, se estão felizes, para que precisam de ajuda?!
– Para continuarem felizes.
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

– Sim, 111, posso ajudar?
– Sim...
– Senhora, é da Central de atendimento Buskaqui.
– Pois então, o que perdi me dói tanto, estou quase perdida...
– Não entendi: a senhora perdeu ou está perdida?
– Eu perdi e me perdi...
– A senhora pode ser mais clara, por favor?
– Não, aqui está tudo escuro, pois que dias já nem têm sol...
– Entendi. Busque a calma para a alma, alegria aquece o coração, amores vêm, vão e virão...
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Linha de atendimento para gastar o seu saldo
– Alôôôôôôô, é da linha de atendimento da meteorologia?
– Desculpe, mas não. Esta é a linha 111, a melhor linha de atendimento para gastar o seu saldo. O custo é de 10€/10seg.
– Oh não. Sou tão distraído. Obrigado!
– Não desligue!!! Não desligue!!!
– Porquê, quer gastar-me o saldo???
– Oh. Porque nunca ninguém ligou para aqui e além de ser o meu primeiro cliente eu gostava também de experimentar desligar uma chamada!
Piiiiii. De repente aparece no visor: Utilizado 36.21€
Sérgio Quitério, 11 anos, Olhão, EB 2/3 Prof. Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Um dia convidei muitas pessoas para jantar. Eu queria fazer uma entrada. O prato principal era bacalhau muito bom, a sobremesa era um bolo de chocolate que toda gente gosta
porque é muito bom. Quando vi, já não tinha ovos e, quando não tenho ovos, costumo fazer assim: peço ajuda ao meu irmão. Então ele vai comprar ao supermercado porque a nossa mãe trabalha lá. Ele trouxe os ovos para o bolo de chocolate, assim pudemos comer.
André, Escola Portuguesa em Écublens, Suíça, prof Paula Santos

― Estou! É do 111?
― Sim, aqui é o 111, a linha de atendimento permanente para encontrar repteis.
― A minha tartaruga desapareceu e está a entrar na fase de hibernação. Socorro! Tenho de encontrá-la rapidamente para a colocar no aquário senão…
― Tenha calma! Qual é o seu tamanho? É importante para pensarmos onde ela se poderá ter escondido.
― Ela é grande.
― Pense um pouco! Onde é que ela se costuma esconder?
― Hum!… Na cozinha! Obrigada, está mesmo aqui!!!
Marta Calé, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Estou? É do 111?
― Sim, senhor, 111: aconselhamento aos pais sobre o namoro das filhas.
― A minha filha saiu com o primeiro namorado.
― Relaxe! Há quanto tempo é que ela saiu?
― Há 10 minutos.
― Que idade ela tem?
― 16 anos...
― Conte de 100 para trás, respire devagar, vai sentir― se melhor...
― Está a resultar. E agora?
― Não se preocupe, dentro de aproximadamente 5 horas ela deve voltar.
― 5 horas????!!!!
― 111? Aconselhamento? Esperar? Sou o pai dela vou buscá-la...
Lara Polónio Gil, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Estou, é do 111?
― Exatamente, serviço de procuradores de amigos. Do que necessita?
― É que estou sozinho e preciso de um amigo com quem possa jogar à bola.
― Está bem! Como quer que seja o seu aspeto?
― Quero que seja alto, divertido, brincalhão e que saiba jogar à bola, claro!
― Ok, meu senhor! Vai pagar em dinheiro ou em cartão?
― Em dinheiro.
― Ok, são 59.99€. Obrigado e ligue sempre!
― Obrigado! Fico a aguardar… Demora muito?
Dlim! Dlão!...
Aymane Berqia,6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Boa tarde! Liguei para a linha de atendimento que dá ideias sobre moda?
― Sim! Em que posso ser útil?
― Eu tenho algumas dificuldades sobre o que vestir no dia-a-dia. Vocês podem-me ajudar?
― Claro, estamos cá para isso! Todas as manhãs lhe mandaremos um e-mail com diversas roupas. Se não gostar, reenvie outro e-mail que lhe mandaremos mais.
― Ok, muito obrigada pela a ajuda! Assim tudo será mais fácil! Não vou precisar de me preocupar... O meu e-mail...
Angélica Jesus, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Boa noite! Daqui fala da Linha Gratuita 111. Em que a posso ajudar?
― É que hoje é Dia da Mãe e eu queria comprar-lhe uma prenda que ela gostasse de ter, mas já não me lembro qual era!!!
― É simples! A senhora vai gritar bem alto, de modo a que toda a gente no seu prédio ouça a seguinte palavra: MÃE. Compreendeu?
― MÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEEE!!!!
― Muito bem! Resultou?
― Sim, acabei de me lembrar agora mesmo: é um aparelho auditivo!!!
Beatriz Brandão, 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Boa tarde!
― Boa tarde, minha senhora! Qual será o pedido que vai querer?
― Eu vou querer um peru recheado com ananás e uvas. Poderá dizer-me o valor de tudo?
― Claro! O total será de 111 euros. A entrega será…
― Pode mandar cancelar o pedido, porque eu pensei que fosse mais barato. Se é para gastar 111 euros num peru, eu vou ao “Aqui nada é barato” e compro 2 perus com acompanhamento requintado.
― Mas senhora…
― Boa tarde!
Johana Brotons, 6A, 12 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Linha de apoio ao coração
̶  Estou sim, é do 111?
̶  Bom dia, ligou para a linha de atendimento sentimental. Ajudo qualquer emoção do coração.
̶  Olhe, tenho-me sentido melodramática, ouvi dizer que ligar para este número ajudava…
̶  Oh, claro minha senhora, tenho o prazer de falar…
̶  Carmo. E já agora, tem solução para mim? É que esta vontade de chorar...
̶  Remédio para si: limpar as lágrimas, usar lenços de cheiro, sentir o perfume das flores e visitar uma amiga num dia de sol.
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras

― Estou muito stressada!
― Diga, minha senhora!
― Antes de mais, queria perguntar se é do 111?
― É mesmo do 111. Então o seu filho desapareceu?
― É óbvio, minha senhora! É claro que o meu filho desapareceu, senão não ligava para aí.
― Já ligou para cá alguma vez?
― Sim, já liguei.
― Como se chama?
― Maria Joaquina Perde Tudo.
― Então o seu filho está dentro da mochila que tem às costas.
― Como sabe?
― Porque já ligou outras vezes e…
Desliguei.
Beatriz Pacheco, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Boa tarde! É do 111?
― Sim, minha menina! 111 “Perfumes de Qualquer Marca!” O que deseja?
― Quero um perfume “Chloé”.
― Qual é?!
― Sim, “Chloé”.
― Ah… Qual é o perfume que a menina quer?
― “Chloé”!
― Qual é, quero eu saber! Ou a menina acha que sou vidente?
― “Chloé”! “Chloé”!
― Você está a gozar comigo ou quê? Porque não vai brincar com alguém da sua idade?!
― Eu quero um perfume “Chloé”!
― Ah! “Chloé”! Porque é que não disse logo!
Carlota Lopes, 6ºA nº9, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Olá! Preciso de ajuda!
― Daqui é o assistente do número 111. O que deseja?
― Estou muito aflita! Perdi as minhas… cuecas.
― Ó senhora, mas esta linha não é para a perda de objetos!!! Esta é a linha para quando não se sabe ensinar alguma matéria ao seu filho.
― Ah! Eu não sabia! Mas pode ajudar-me?
― Olhe, já viu dentro do micro-ondas, ou dentro da mala?
― Encontrei! Adeus! Obrigada!
― Mas que rapariga estranha! Nunca tive um telefonema igual!
Alexandre, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Bom dia, em que posso ajudar?
― É o meu filho, está preso no meu carro. Não consigo abri-lo.
― Ok, vou chamar a nossa equipa de socorro. Não desligue.
― Está bem, eu estou na rua três.
― Sim, estão pertinho.
― Muito obrigada, minha senhora.
― É para isso que aqui está a agência de salvamentos de crianças.
― Obrigada, não demorem muito, por favor!
― Tudo de bom.
― Adeus. Muito, muito obrigada!
― Adeus, senhora
― Obrigada!
― De nada, continuação de um bom dia.
Bruna, Escola Portuguesa em Écublens, Suíça, prof Paula Santos

― Estou, fala do 111? ―  perguntei eu ao telefonar para lá.
― Sim, do que precisa? Do seu assistente pessoal? ― responderam.
― Preciso dele urgentemente, porque está muito trânsito e eu preciso de ajuda para atravessar na passadeira com mão dada.
― O quê???
― Sim, foi isso que percebeu! Porquê? Vai ver que atravessa a rua sem dar a mão a alguém…
― Claro!!! Bem, mas não é isso que interessa agora. Desculpe! Vou já teletransportar o seu super híper assistente pessoal.
Henrique Orge, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Estou! É do 111?
― Exatamente, minha senhora! 111 ―  atendimento permanente para encontrar os objetos perdidos em sua casa.
― É que perdi as minhas cuecas e eram as únicas que eu tinha! Já revirei a casa toda e… nada!
― Minha senhora faça o seguinte, por favor! Sente-se. Feche os olhos. Acalme-se… Agora, imagine que está a chegar à casa de banho… lembre-se… Onde as deixou?
― Ah, já me lembrei! Estão no cesto de meter a roupa suja.
Diogo Carrada, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

― Olá! Em que posso ajudar, minha Senhora?
― Olá! Preciso de ajuda para vir salvar o meu filho, ele ficou agarrado à cama da irmã mais velha e eu não consigo tirá-lo de lá.
― A nossa equipa de socorro de bebés está a chegar brevemente. Pode-me dar a sua direção, por favor? Obrigada.
― Sim, a minha direção é: Avenida Aquilino Ribeiro, no Carregal.
― Nós vamos a caminho da sua casa! Até já!
― Muito, muito obrigada! Despachem-se! Até já!
Bárbara, Escola Portuguesa em Écublens, Suíça, prof Paula Santos

― 111, posso ajudar?
― Tenho um problema!
― Está tudo bem? Posso ter a sua localização? Tem alguém que possa ajudar? Tem alguém a ataca-lo?
― Não! Está tudo muito mal, não está ninguém aqui comigo... a minha mãe acaba de sair e tenho dois problemas para resolver!
― Vou enviar ajuda.
― Não, eu posso ditá-los.
― Ditar?! Que problemas são esses?
― Problemas de matemática!
― Matemática?
― Sim! Não os consigo resolver e a minha professora vai atacar-me verbalmente!
― Qual é a pergunta?
Sharon Noa, 13 anos, Abbotts College, Petrória, África do Sul, prof Margarida Sousa

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Num belo dia de primavera, numa grande árvore, ao meio-dia, a minha melhor amiga Érica e eu estávamos a brincar às profissões. Uma grande quantidade de animais de estimação rodopiava à nossa volta quando, de repente, desapareceram da nossa vista para o buraco obscuro do grande carvalho!
Desesperadas, marcámos o número 111:
― É do 111?
― Sim! Daqui fala ISH, Instituto Sherlock Holmes.
― Os nossos animais desapareceram através do cenário!
― Liguem para o realizador!
― Obrigada pela ajuda!
― Corta!
Maria Eduarda Oliveira, 11 anos -  Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida e Silva

No desespero da novela
― Olá, boa tarde – ouviu-se do outro lado.
― Boa tarde, daqui fala Inês da AEPI - Associação de Entretenimento para Idosos.
― Querida Inês, ainda nem acredito!
― Minha senhora, tenha calma. O que aconteceu para estar assim enervada? – perguntou Inês, preocupada.
― Eu gostava tanto dela… ela não merecia.
― Tem de serenar, conte-me o que aconteceu.
― A Liliana desapareceu!!
― Lamento muito. Já contactou as autoridades? Vai ver que tudo se resolve.
― Obrigada. Espero que no próximo episódio da novela a encontrem.
Helena Gama, 11 anos -  Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida e Silva

― Bom dia!
― Olá! Ligou para a linha telefónica 111. Posso ajudar?
― Eu gostaria de viajar para 1577, França.
― Ok. Antes, tem de saber algumas informações. Só estará lá um dia. Vai ser invisível aos olhos das pessoas. Não pode comunicar comigo durante a viagem no tempo. E quanto à alimentação, só comerá os alimentos do passado. Lembre-se: para estes ficarem invisíveis, só precisa de dizer «Alimentó Invisiblé».
― Obrigado! Quando vou?
― Vai ser teletransportado em três, dois, um, …
Joana de Sousa Moreira, 11 anos, Jeni Chen, 11 anos e Nuno Filipe Nunes Costa, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida e Silva

Salvo!
Quando eu era pequenino, eu nunca estava sozinho. Entretanto, cresci e, depois, fiquei num completo isolamento, o que muito me entristeceu. Então, sugeriram-me que ligasse para o 111 – Salvamento de Almas Tristes.
Quando eu liguei para lá, atendeu-me uma assistente muito simpática, com uma voz doce e relaxante, que me disse para eu ter calma. Logo a seguir, sugeriu-me várias estratégias, como telefonar a alguém para desabafar ou aderir a um grupo de encontros semanais.
Portanto, salvou-me!
Mário Sousa, 12 anos – Colégio Paulo VI – Gondomar, prof Raquel Almeida da Silva

― Estou, 111?
― Sim, quem fala?
― Fala um cidadão português que está a viver na capital da Líbia. Socorro! Estou a ser atacado, assim como os outros cidadãos, por terroristas, e precisamos de apoio!
― Está bem! Já enviamos tropas para aí, mas, primeiro, diga-me em que rua se encontra.
― Encontro-me na rua de Santo António.
― Obrigado. Demoramos quarenta e cinco minutos a chegar aí.
― Quarenta e cinco? Precisamos de vocês agora! Os terroristas estão a destruir a cidade!
Salvador Lopes, 12 anos – Colégio Paulo VI, Gondomar, prof Raquel Almeida da silva

 ― É do 111?
― Sim, sim! IAFC, Instituto de Apoio à Falta de Criatividade.
― Já estou em desespero, tenho de fazer um texto de tema livre, para a aula de Português, e não tenho ideias.
― Efetivamente, essa é uma das piores situações por que um aluno passa. Enviar-lhe-emos, dentro de dois segundos, uma caixa 6x6x6 com criatividade em pó para diluir em água.
Puft!!! 
― Uau! Obrigada!
― Não tem de quê.
― Acabei de o tomar! Ena! Tantas ideias a brotar!
Sofia Dias, 11 anos, e Vera Carminé, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof Raquel Almeida da silva

― Está lá, daqui fala do Departamento Nacional da Psicologia Especializada.
― Olá, nós cá em casa, temos uma criança autista e precisamos de auxílio psicológico.
― Quantos anos tem?
― Tem 8.
― Primeiro, providenciaremos aulas acompanhadas. Em segundo lugar, terão, semanalmente, sessões de terapia familiar para poderem ajudar-se mutuamente.
― Mas como é que nós podemos registá-lo no programa?
― Para se registarem, vão ao nosso site www.DNPEforum.com.
― Muito obrigado pelo seu auxílio, felicidades.
― Nós é que agradecemos, tenha um bom dia!
Guilherme Santos e Miguel Freitas, 12 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof. Raquel Almeida da silva

― Linha 111. Em que posso ser útil?
― Socorro! Estão 14 pessoas reunidas e a discutir as notas dos nossos alunos, e já não conseguimos pensar. Muito menos dar notas! Pode ligar o ar condicionado? A sala de reuniões está impraticável!
― Olá, D. Ana! É só dizer as coordenadas GPS e nós ligamos já o ar condicionado remoto.
― As coordenadas são: 36°31'12.1"N 5°54'54.3"W. Oh… muito obrigada… está muito melhor! E logo à noite, mantém-se o pedido de ontem!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

― Boa noite, está a contactar "Ideias Criativas", linha de apoio destinada a solucionar todos os problemas. De que forma podemos auxiliá-lo?
― Boa noite, chamo-me Vicente. Dário, o meu neto tem sido criado por mim, temos uma estreita relação afectiva. Porém, agora irá frequentar a pré-primaria. Decerto não aceitará bem esta nova realidade.
― A solução mais eficaz será acompanhar o menino, integrando a instituição como voluntário. Certamente poderá ajudar, arbitrando os jogos das crianças.
― Obrigado, seguirei esse conselho.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto