30 junho 2017

António Matos ― desafio nº 115

Terminavam cada dia das férias de Verão ansiosos pelo amanhecer. Dormir impunha-se apenas quando o sono chegava e o corpo cedia à excitação das combinações infantis próprias de irmãos. O quarto em que dormiam naquelas semanas de calor algarvio, no apartamento construído durante a vaga de betão, separava-se da sala por uma cortina esvoaçante que deixava a brisa nocturna, vinda da janela aberta, arrefecer-lhes a noite. Quando o sono partia e acordavam, mudavam de capítulo sem cerimónia.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe

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