17 janeiro 2018

Ana Sofia Alves Borges ― desafio RS 47

O primeiro dos ursos vestia um xaile zangado e triste.
Um dia, o urso casou com a sua rival varejeira e viram a solidão terminar.
Quatro meses depois, aconteceu um bárbaro crime: o Jaguar viu a Lamparina a espicaçar o grande Impossível.
O dedo do jaguar ficou falido e a Lamparina oculta triste.
Quando o Urso místico chegou apaixonou-se pela nota de tristeza da Lamparina.
A lamparina hesitou…
A lamparina atrapalhou-se…
E, no final, também se apaixonou.
Ana Sofia Alves Borges, 6º B, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!



Sara Mendes ― desafio 37

Eu, hoje, entrei no meu colégio e vi dois monstros, um vermelho e um verde. Eu disse-lhes:
― Oi! Porque é que têm um pinheiro no pé?
― Nós temos um pinheiro no pé, porque é isto que comemos.
Eu ri-me e diverti-me muito com os monstros!
Depois tive de ir ter com o meu tio que é o diretor do colégio. Ele pediu que desse um bilhete muito complexo e urgente.
Por fim despedi-me de todos com beijinhos. 
Sara Mendes, 5ºC, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Josefa Guimarães Barros ― desafio 37

Existe um menino que tem medo.
O menino que tem medo cresceu com medo do escuro.
No escuro o medo cresce, cresce, cresce…
E o menino que tem medo diminui, diminui, diminui….
Existe um menino que tem medo e esse menino sofre, sofre, sofre…
Escurece e o menino tem medo. Ele vê monstros!
Escurece e o menino sofre.
Escurece e o menino existe sozinho.
O menino tem medo do escuro. Escurece e o medo vem.
Só medo.
Josefa Guimarães Barros, 5º B – 11 anos, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


         

Margarida Freire ― desafio 133

Empoleirado num ramo farfalhudo, o Morango todo se esticava.
A mãe desatinava com aquele desassossego:
― Diacho, um dia vem dali abaixo… Porque não está quedo?
Sofria de Amor, o Morango, irremediavelmente apaixonado pela Amora.
Redondinha, perfumada, queria lá saber dessas parvoíces…. ali ao sol, cuidando do bronze. De auscultadores, balouçava ao ritmo do rock-and-roll.
Um dia, ao som de Jail-House, veio por ali abaixo, aterrando nas silvas.
“Sorte grande, assim tenho o Elvis só para mim!” Hey!!!
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 133 ― cair nas silvas



Ana Fulé Pereira ― desafio 37

O Guilherme quer percorrer o mundo, descobrir costumes e conhecer gente diferente.
Esteve em Londres, onde foi muito bem recebido. Visitou muitos museus, o seu monumento preferido foi o incrível Big Ben.
Depois visitou o México, um sítio lindo, com muito que comer e ver.
Esteve depois no Porto, onde deu um mergulho no rio Douro, bebeu vinho do Porto, conheceu os Clérigos.
Feliz, Guilherme tirou fotos incríveis que postou no seu livro “Percorrer o mundo “.
Ana Fulé Pereira, 5ºC
, Escola Dr. Costa Matos, prof Cristina Félix
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Lúcia Marina Correia Casalta ― desafio RS 26

A minha vida neste momento está uma ruína. O que fazer?
Estou a lavar a loiça e olho para o ralo pensativa.
A minha história de vida longa e triste definida ao metro.
Ele foi embora e deixaram de aparecer peúgas espalhadas pela casa.
Um dia irá fazer-se justiça mas agora tenho que me conformar.
Encontrei um doce, lindo e verdadeiro amor que não poderei viver.
relojoeiro da vila, grande amigo da família, partiu hoje cedo.
Lúcia Marina Correia Casalta, Vieira de Leiria
Desafio RS nº 26 – 7 palavras impostas em 7 frases de 11 palavras


Tiago Filipe Salgueiro Campos ― desafio 37

Eu sou o super futebol
Tenho pés super fortes e um super músculo.
O meu corpo tem super poderes.
Os meus poderes? Enormes!
Eu defendo golos que vencem todos os homens pérfidos.
Invento jogos que vencem todos os injustos.
Crio brinquedos que vencem todos os outros brinquedos.
E depois descubro nomes de jogos que vencem sempre os piores.
É isto! Eu sou o super futebol, que vence sempre todos os vilões.
Eu sou o homem super destemido!
Tiago Filipe Salgueiro Campos, 5º B – 11 anos, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Beatriz Reis ― desafio 35

Não saibas: imagina… as palavras acabadas de nascer, sem voz ainda, imperfeitas, mas ingénuas e puras. Parecem ter vida própria e independente. No entanto, que seria de nós sem elas?
As palavras são a nossa essência, crescemos com elas, vivemos com elas e, no fim da vida, com elas envelhecemos. Caminhamos lado a lado. Choramos, rimos, gritamos, confessamos os mais íntimos segredos com palavras e combatemos a solidão. As palavras sustentam as nossas vidas. Palavras somos nós.
“Não saibas: imagina…”, Miguel Torga, Diário IX
“Palavras somos nós”, Gastão Cruz, Os poemas
Beatriz Reis, 13 anos, Escola Secundária João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor


Marco Gabriel Abrantes ― desafio 37

Recuei no tempo e encontrei o primeiro idoso que leu o primeiro livro.
O primeiro idoso encontrou o primeiro livro no Templo dos Livros.
O primeiro livro do Templo dos Livros foi escrito pelo escritor Luís.
O escritor Luís leu o primeiro livro com Deus.
O escritor Luís escreveu o primeiro livro do Templo dos Livros com Deus.
O escritor Luís escreveu o primeiro livro que Deus escreveu.
Todos os que o leem …. leem sem fim.
Marco Gabriel Abrantes, 6º B – 11 anos, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Elsa Alves ― desafio 37

Será JUSTO atormentar-vos com esta história medonha? JUSTIFICO assim a minha opção pelo CASO sinistro que pretendo contar-vos: dá-me prazer o terror que CAUSO aos leitores. Não costuma ser difícil embora, desta vez, não me pareça fácil. Bom... há uma FOCA bebé, amaldiçoada, condenada a viver numa gruta SUJA, enfiada num SACO escuro, fortemente atado por uma FITA negra... Apresentada a personagem e a sua situação, a continuação seguirá num próximo episódio. Sou mesmo SÁDICO, não sou?
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 123 – palavras com letras de justificado


Evandro Cardas Corneta ― desafio 37

O coelho bondoso comeu um céu cheio de cores.
Cheio de cores tornou-se um super-homem com poderes poderosos.
O coelho tem o poder de colorir o universo.
Com este poder ele primeiro pintou o céu de cores muito fortes.
Depois pintou o sol com cores diferentes e o sol ficou feliz.
E pintou frutos de verde, que crescem enormes e fortes.
O coelho sentiu-se colorido e feliz. Feliz!
Somos como o coelho e podemos colorir o universo.
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Mireille Amaral ― desafio 37

É difícil, é muito difícil entender os motivos, o porquê. Decidiste ir-te sem sequer te despedires.
E, hoje, vinte e sete invernos depois revivo tudo: somos jovens, perdidos, chorosos. Que tormento ver os teus progenitores num desespero…
Fiquei entrementes muito tempo sem rumo, (in)consciente, sem querer dormir.
O cosmos foi-nos cruel e o destino imprudente.
Fiquei sem fotos, sem os escritos, só com um ténue vislumbre do teu sorriso.
Suspiro sempre porque posso nem tudo ter feito.
Mireille Amaral, 42 anos, Gondomar
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A



Marta Alexandra Pinto ― desafio 37

No momento em que eu e o meu tio conhecemos o continente do sol negro, descobrimos que o sol de ouro virou negro, porque os meninos morrem de fome. Os meninos morrem de fome?
No momento em que sol ficou esquisito, o meu tio ficou com medo e fugiu.
Porém eu fiquei e encontrei o ninho dos bondosos e o ninho dos demónios… e depois… fugi.
E vocês? Conseguem socorrer os meninos do continente do sol negro?
Marta Alexandra Pinto, 6º B – 10 anos, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A


Sónia Patrícia da Cruz Alves ― desafio RS 47

Que grande atrapalhação!
Um bárbaro crime foi cometido por um só dedo.
Um dedo que foi capaz de espicaçar a sua rival solidão.
Era um dedo falido, em hesitação, para quem era impossível continuar.
O dedo tinha que terminar a zanga que existia dentro dele.
A varejeira, o urso, a lamparina e o jaguar usam sempre o xaile para aquecer a primeira solidão.
Juntos, os quatro, deram com o crime oculto, numa nota mística.
Que grande atrapalhação!
Sónia Patrícia da Cruz Alves, 6º C, 13 anos, EB 2,3 do Alto do Lumiar, Lisboa, prof Filipa Neves
Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!


16 janeiro 2018

Ana Pegado ― desafio 123

Já sei, mo disseste, bem o sei,
Um motivo tu queres, uma razão, um sentido…
Sabes tão bem o que fiz e o que direi...
Tentei fugir, mas agora estou perdido!
Fico à toa, as palavras custam a sair da boca.
Inevitável, eu digo, e tu ficas louca…
Como tu me pediste, desde o início.
Admiti a minha falha, aceita a minha confissão.
De qualquer forma deambulei até um precipício,
Onde cairei sem nem perdão. 
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 123 – palavras com letras de justificado

Maria do Céu Ferreira ― desafio 133

Traição
Caí num monte de silvas,
De silvas dissimuladas,
Senti picadas e ortigas
E agulhas espetadas!   

Caí num monte de silvas,
Escondidas no caminho,
Senti picadas e ortigas
Donde esperava carinho!

Caí num monte de silvas,
Como agulhas afiadas,
Senti picadas, ortigas
E golpes como facadas!

Caí num monte de silvas
Que sempre me seduziram,
Envolventes e fingidas,
Num abraço me atraíram!

Caí num monte de silvas
E jurei: ponto final!
Ouvi sereias amigas…
Saltei para o matagal!
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante
Desafio nº 133 ― cair nas silvas


Ana Pegado ― desafio 125

― A sério, mãe, foi um tornado! ― dizia André justificando os vasos partidos no fundo do jardim. ― Nem imaginas – continuou, com ar de gozo ―, levantou-se um vendaval em remoinho que varreu tudo! Mas era pequeno, por isso é que só estragou os nossos malmequeres e os da vizinha não.
― Não abuses da minha paciência, André que eu sei bem que foste tu com a mania de jogar à bola no jardim. Vai já limpar aquilo tudo! E rápido!   
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 125 – tornado no jardim

Afonso Santos ― desafio 129

Estava eu na casa da minha avó Natália a comemorar o Natal com a família. A casa dela era a mais natalícia do Bairro Alto.
 Estava lá a tia Tânia, ela contava anedotas muito divertidas e eu anotava-as todas. A minha mãe Anita ajudava a minha bisavó Antónia a fazer a tarte de natas
 Mas o meu melhor momento foi o do fim, porque eu e os meus primos estávamos à espera de abrir tantas prendas! Uau!
Afonso Santos, 6ºA, 11 anos, Olhão, Escola EB2/3 Professor Paula Nogueira, Prof.ª Cândida Vieira
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


Ana Pegado ― desafio 126

No princípio a escuridão era total. Depois, aos poucos, os olhos habituam-se e leves sombras de estranhas formas vão-se desenhando em todas as direções. Começava a sentir-se intermitente, ora estava presente, ora ausente. Como se tivesse um botão que alguém sadicamente ia ligando e desligando a seu bel-prazer. E de ausência em ausência ia se sentindo cada vez mais fora de si, mais longe. Longe da vida, mas perto de uma qualquer coisa que não conseguia distinguir.
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 126 – sentia-se intermitente

João Mendonça ― desafio 129

Havia uma família de leões na savana africana.
A mãe chamava-se Natália, o pai Natálio e as crianças, Nata, Natas, Tânia, Antónia e, no meio de tantas raparigas, um rapaz chamado Anotas.
Estava a chegar o Natal. Todos os leõezinhos queriam umas andas, menos a Antónia que preferia uma serenata de um pequeno leão chamado “Natalosto” e o Anotas que queria uma tarântula.
Os pais diziam que não, mas eles simplesmente insistiam.
Mas que prendas tão esquisitas!
Leonor Coelho, 6ºA, 11 anos, Olhão, Escola EB2/3 Professor Paula Nogueira, Prof.ª Cândida Vieira
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA