26 abril 2018

Helena Rosinha ― escritiva 31


Hoje é o meu primeiro dia como professora. É cedo, mas quero chegar a tempo e horas. Pasta na mão, corro para o autocarro. Cá fora, o motorista coloca volumes na bagageira.
– Só? – ironiza, apontando a pasta.
Dentro, pessoas idosas ocupam, quase completamente, o autocarro. Um velhote assinala-me um lugar livre, dá-me as boas vindas com um sorriso:
– É a nova animadora?
Ah… faz-se luz! Estou no autocarro que transporta, para férias, os utentes do Lar Comunitário.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Sofia Lopes ― desafio 135


― Isto tudo é tão bonito! Ainda bem que viemos ao Egito!
― Tens razão! Mas este ovo está tão mal feito, está mesmo mal frito!
― Vou dar um grito para ver se o empregado vem aqui! Estou sempre a fazer gestos, mas ele nunca repara!
― Isso! Faz isso para ver se o ovo vem mais bem cozinhado!
― Mais vale deitar-me num leito à espera que o empregado venha para trazer um ovo mais perfeito!
― Olha, vamos embora!
― Vamos!
Sofia Lopes, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO

Carla Silva ― desafio 139


Um mundo à parte
Talvez... foi a tua resposta à pergunta.
Tu usavas e abusavas da pobre palavra!
Talvez até fosse inconscientemente que o faz­ias.
Tu alguma vez pensaste sobre esse assunto?
Talvez não, afinal nem eu pensara nisso.
Tu então, perdido, nesse mundo só teu.
Talvez devesse arranjar um para mim também.
Tu achas que assim seria mais feliz?
Talvez consiga um ao lado do teu.
Tu imaginas-nos a viver lado a lado?
Talvez pudéssemos fazer piqueniques e viagens loucas.
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

Natalina Marques ― escritiva 31


Durava há um mês aquele namoro que não andava nem desandava.
Todos os dias tinha uma desculpa esfarrapada para chegar atrasado.
Mas, naquele dia, seria diferente, prometeu que vinha a horas de ir ao cinema, mas ela não acreditou.
― Outra vez atrasado! Qual é a desculpa desta vez? Fizeste horas extras, ou tiveste de levar o cão à rua?
― Não... enganei-me no autocarro!!
― Pois agora dá meia volta e apanha o mesmo, antes que voltes a enganar-te.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Maria Félix ― desafio 135

Se não estivesse tão aflito teria apreciado a maravilhosa sensação de liberdade que só os espaços mágicos permitem. Aquiles, o fotógrafo docarrapito, decidira comprar uma viagem para o Egito, depois ter sido expulso do último emprego … Paciência, o mal estava feito!
Agora, frente à Esfinge, sentia-se intimidado, sem jeito, perseguido por um maldito mosquito esvoaçante, que o impedia de encontrar o enquadramento perfeito, o tal que lhe daria a vitória no maior concurso de fotografia.
Maria Félix, 55 anos, Gaia
Desafio nº 135 – 7 palavras com ITO

Fátima Fradique ― desafio 129


A NATÁLIA e o NATALINO foram passar o NATAL à casa da MONTANHA da RENATA. ATINADA como sempre, a Renata preparou os quartos de hóspedes para os receber. Um casal NATURALMENTE simpático, mas ela DESATENTA e ele DESNATURADO. Faziam uma dupla fantástica!
A Renata nunca os esperava à hora marcada, pois sempre seguiam o caminho errado ao indicado pelo GPS, distraídos com a NATUREZA. Naquele dia, trocaram-lhe as voltas, antes de ela chegar já eles a esperavam.
Fátima Fradique, Fundão
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA


André Fernandes ― desafio 15


Rafael era um rapaz que tinha muito jeito para o futebol, era o seu grande sonho! Ele pedia ao pai mas ele achava que o futebol era bastante perigoso. O Rafael confiante pediu novamente ao pai mas ele ficou ainda mais aborrecido. Ele sentia que só isso o poderia tornar completamente feliz. Uma tarde, Rafael conseguiu convencer o pai a ir ver um jogo. Ele viu a felicidade nos olhos do filho e deixou-o começar a jogar.
André Fernandes, 6ºA, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Frase: Sentia que só isso o poderia tornar completamente feliz., "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe.
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro

Fátima Fradique ― desafio 133


Corri, corri, corri sem parar! Estavam quase apanhar-me! Ouvia o meu coração bater! Sentia-o palpitar! A ansiedade crescia! A minha mente corria mais que as pernas, tropecei! Sentia a adrenalina em alta! Caí nas silvas e gritei! Senti uma dor aguçada! Os picos perfuraram a pele e senti uma ligeira humidade que se espalhava lentamente. Fui agarrada! O jogo chegou ao fim! – ouvi – mas não me consegui levantar! Apoiada, consegui chegar à tenda! Aplicaram-me os primeiros socorros.
Fátima Fradique, Fundão
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

25 abril 2018

Diário 77 ― 31 ― O mar

O mar enredou-lhe os pensamentos, e ela deixou. Descartou-se de momentos passados e exaltou-se com momentos desejados. Sentiu-se diferente – já não era um ponto final suspenso na rocha. Não encontrou o vazio que carregava, nem questionou a vontade que surgia.
Deixou-se ficar, quieta. Abandonou o olhar nas ondas, deixou que lhe trouxessem outras verdades. Transformou-se num mar mais forte, mais azul, tão mais possível.
E reencontrou-se em cada onda que sentiu e que não deixou para trás.
Margarida Fonseca Santos


24 abril 2018

Diário 77 ― 30 ― António, o louco

António voltava da Nigéria, completamente enlouquecido. Fazer certos ritos era o mínimo, sendo o máximo parecer um animal. A sanidade daquele homem que regressava ao ninho estava desfeita.
De penico à cabeça, foi até casa da tia num delírio onírico, assustador. Pobre tia, a quem deu logo um fanico, e que, ao acordar, entrou em pânico. Era nítido o nível da sua demência.
Contudo, a mãe, dando-lhe beijos repenicados e um níquel para comprar gelados, conseguiu controlá-lo.
Desafio RS nº 40 – 14 palavras com a sílaba NI
Margarida Fonseca Santos


Maria Clara Martins ― desafio 133


Vai devagar, Tito! – aconselhava o avô. Mas o Tito nunca abrandava, daí os arranhões e os joelhos esfolados, tatuagens da terra batida e das silveiras no verão. Não que tivesse pressa, nas férias não havia relógio! Mas a bicicleta era sua aliada e quanto mais pedalava mais depressa levantava voo. Desde que aprendera a voar que gostava de o fazer. Chegava à clareira, pousava a bicicleta, abria as asas de um livro e lá ia, a voar!
Maria Clara Martins, 38 anos, Coimbra
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

Miguel Broes ― desafio 27


 é um rapaz muito irrequieto, gosta de brincar, saltar e fazer as suas traquinices. Apesar da sua rebeldia, é um menino doce e adorável. O Avô dele jogou futebol profissional durante muitos anos, e este «rapazinho rebelde» partilha o mesmo sonho. Atualmente joga no IBIS FC, clube da sua terra, mas sonha jogar no maior palco de todos, a Liga dos Campeões e, claro, sonha tornar-se o melhor jogador do mundo, orgulhando a sua família.
Miguel Broes, 17 anos, 12º SE1, Escola Secundária José Saramago-Mafra, prof Teresa Simões
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

3º/4º B, EB de Galveias ― desafio 132

A menina e a ave
Dora comia uma broa, enquanto observava uma rola, pousada numa rosa. A ave estava a descansar para depois viajar para Roma. Ela ia ao teatro ver o ator Roberto Rossellini, no Teatro «Hora do Amor». Atingida por um raio raro enganou-se na rota e foi ter a Mora.
A Dora reconheceu a rola e deu-lhe uma romã para ela bicar. Depois de ajudar a amiga foi à roda gigante e levou o seu arco. Divertiu-se muito
3º/4º B, EB de Galveias, professora Carmo Silva
Desafio nº 132 ― AOR + 1

Bruno Correia e Julian Hoffmann ― desafio 27


O Rúben ama a Teresa desde o primeiro momento em que a viu. Diz até que nunca irá amar ninguém como ama a Teresa. Porém, ela desiludiu-o, e ele descreveu esse sentimento como uma dentada numa maçã amarga.
Ainda julgou haver uma possibilidade de reconciliação; contudo o sentimento já não era recíproco. Teresa teria acendido novamente a «chama» dentro de si – amava agora outra pessoa. Posto isto, Rúben viveu amargamente para o resto dos seus míseros dias.
Bruno Correia e Julian Hoffmann, 17 anos, 12º SE, Escola Secundária José Saramago-Mafra, prof Teresa Simões
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Francisco Henriques ― escritiva 31


Quando chegou ao trabalho ― atrasado, como sempre ― sentiu algo fora do lugar, mas não fez caso. Ao entrar na sala comum (ou open space, como agora lhe chamam), fazendo por ser discreto, ninguém o olhou com desdém. "Já me safei", pensou para si. Só ao sentar-se na sua cadeira é que notou: não se ouvia telefones. Nem um único. Pôs-se de pé num salto, e foi quando finalmente percebeu: "Eu não trabalho aqui, caraças. Enganei-me no metro".
Francisco Henriques, 34 anos, Lisboa
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Pedro Miguel Alegre e Rita Reis ― desafio 27

Já não sei que dar ao meu país. As únicas lembranças que tenho são as de mim mesmo a andar no meio da superfície marítima, a ver todos os que conheço sem cor e sem vida. Pensava que conseguia mandar, mas ao ver todas as mortes que causei, nem para isso tenho capacidade. Por isso, escrevo, nesta pequena carta de despedida, um pedido de desculpas a todas as famílias pela minha absoluta incapacidade de comandar.
O comandante,
Pedro Miguel Alegre, 18 anos, e Rita Reis, 17 anos, 12º SE1, Escola Secundária José Saramago-Mafra, prof Teresa Simões
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Theo De Bakkere ― escritiva 31


Que se passa?
Já comprar um bilhete no metro pode ser uma aventura, sobretudo quando nunca foste confrontado com essas máquinas caprichosas. Ao menor problema, formar-se-á uma bicha. Felizmente há sempre alguém dos circunstantes que te dará uma ajuda. Agora sou um viajante experimentado, tenho sempre trocos no bolso. Mesmo assim, aconteceu-me o seguinte. Introduzi meu andante para carregar títulos zona 2, seguidamente uma nota. Que acontece? A máquina recolheu-a mas não carregou o andante nem me devolveu o dinheiro.
Theo De Bakkere, 66anos, Antuérpia, Bélgica
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Francisca Reis ― escritiva 31


Todos os dias salto para o mesmo assento suado, do lado da janela, ainda aquecido pelo passageiro anterior. Dá sorte... Se me sentar aí o meu dia decorre sem grandes peripécias. Por vezes uma coisita ou outra... mas nada de grave. E, ao fim do dia... puf... caio de novo no meu assento. Mas hoje, o meu lugar estava ocupado e o caminho errado. Foi quando gritei: 
― O senhor enganou-se! 
Que percebi que a enganada era eu.
Francisca Reis, 17 anos, Cantanhede
Escritiva 31 ― erros nos transportes

Paula Castanheira – Escritiva 31

Estava cansada de ser a certinha da família! Todos sabiam o que podiam esperar de Alice. Na escola sempre alinhada com as matérias e com o quadro de honra. Já adulta era funcionária exemplar, pontual e prestável. Tinha a rotina sulcada nos dias e o coração batia-lhe ao ritmo dos ponteiros do relógio.
Os pensamentos levaram-na para longe dali e quando se apercebeu estava no autocarro errado, iria chegar atrasada, mas pela primeira vez, não se importou!
Paula Castanheira, 54 anos, Massamá
Escritiva 31 – erros nos transportes

Curso de Técnico Auxiliar de Saúde de Torre de Moncorvo – desafio 8

Os tomates do campo
Ao passar pelo campo para plantar tomates, Mara repara na terra e esta não está preparada
para a plantação. Então, Mara pensa em passear pelo mercado e comprar os tomates para
preparar salada para comer. Ela crê, no entanto, o paladar não é o mesmo dos tomates do
campo. O esposo ao comer pensa: - Esta salada está má, este tomate não é da nossa terra, é do mercado! Então Mara come a salada e concorda com ele.
Curso de Técnico Auxiliar de Saúde de Torre de Moncorvo, Andreia Pinho
Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C