20 julho 2017

Escritiva nº 22

Nunca lhe aconteceu estar parado no trânsito e sentir aquela tentação de “limpar o salão” com jeitinho, para ninguém o ver? E nunca tentou ouvir uma conversa atrás da porta? Não? De certeza? Eu sim!  E o pior não é admiti-lo, o pior é a vergonha que se passa quando somos apanhados em flagrante. Nem sempre é fácil sair do apuro.

Eu resolvi a situação assim:
Fora discreta, esperara até que todos estivessem a dormir, desceu sem fazer ruído, fechou a porta devagarinho, abriu a gaveta, tirou os talheres, um prato e atirou-se à vítima sem piedade. Sem restos que a incriminassem, voltou terrivelmente satisfeita. Dormiu como nunca, sem qualquer remorso, mas a liberdade durou pouco:
 ― Minha menina, estás de castigo! Comeste o bolo todo e não digas que não, porque tens o corpo cheio de borbulhas.
― Oh não, o bolo tinha nozes...
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante

17 julho 2017

Programas Rádio Sim - semana 17 julho 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Isabel Lopo ― desafio nº 121

Era a mim que devias ter oferecido as flores naquela noite. Talvez não saibas, mas toda a minha vida esperei por esse momento. Desde o tempo em que brincávamos lá na aldeia e trocávamos guloseimas com juras de amizade e de amor...
Contudo, tu preferiste escolher aquela pindérica, só por vaidade. É rica, bonita e isso para ti basta. Para trás ficaram os nossos sonhos como se um sopro de vento os tivesse varrido do teu coração.
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Sérgio Felício ― desafio nº 4

Sou feliz
Sou um bule rachado, sou de fina porcelana muito delicada, de tamanho médio e pintado em dourado cintilante. Quando fui rachado senti uma grande tristeza por não poder servir. Fui colado para continuar a ter capacidade de servir diversos chás.
Sirvo numa casa de chás que pertence a uma família nobre inglesa. O chá que mais gosto de servir é de camomila porque é calmante.
Fico mesmo muito feliz por contribuir pró bem-estar de todas as pessoas.
Sérgio Felício, 36 anos, Coimbra

Desafio nº 4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 81

Julinho Pitorra queria ser famoso como um rei humorista. E era, realmente, um rei humorista... sem graça nenhuma!
Como as suas inúmeras chalaças não tinham gracejo, os habitantes locais ficaram estupefactos pelo xerife contratar Julinho para animar a festa referente à transição anual.
Na festa apareceu um rato gigante e o humorista começou a gaguejar.
A expressão aflita e fala titubeante originaram o riso fácil e aplausos.
Graças a um acaso, Julinho alcançou o sucesso como cómico.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

Vera Saraiva ― desafio RS nº 18

Tens toda a razão! Sempre que nos esforçamos demasiado, mais tarde ou mais o corpo acaba por ceder!
Ontem dupliquei o número de quilómetros e hoje já nem me mexo. Tens toda a razão! Se eu te ouvisse, evitava estas situações.
Mas o que vale é que consegui finalmente perder o peso que tinha em excesso. Tens toda a razão, o esforço acaba por compensar.
Vou ter mais cuidado com os próximos treinos, tens toda a razão!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 18 – frases repetidas no texto

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 6

De dia, viam-se pouco!
Quando o sol despontava, a chuva, sentindo-se ofuscada pela sua beleza, preferia manter-se afastada. Mas o sol admirava a sua capacidade para se multiplicar em várias gotas e distribuir frescura pelo mundo inteiro.
Um dia, cansados de se observarem à distância, decidiram aproximar-se para conhecerem melhor alguém que admiravam.
Dessa amizade resultou um lindo arco-íris, irradiando o brilho das suas cores no céu.
Quando vencemos a timidez, conseguimos alcançar o sucesso.
Quem diria!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 6 – Início e fim: De dia viam-se muito pouco …….. Quem diria!

Isabel Lopo ― desafio nº 121

Era a mim que devias ter confiado o teu segredo. Mas foste escolher aquela pindérica para o fazeres. Fiquei mesmo lixada por teres quebrado o nosso pacto. Talvez não saibas, mas sempre foste o meu ídolo, pois apesar das borbulhas e do teu ar nerd sempre quis ser a tua amiga especial… Contudo, tu traíste-me. Não contes mais comigo, nem com os meus patins ou a minha bicicleta encarnada. E sobretudo devolve-me os tintins que te emprestei!
Isabel Lopo, “17” anos, Lisboa

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 99

A Renata saiu hoje do hospital onde esteve internada quatro dias para ser operada ao seu problema de atrofia, que se agravou recentemente quando foi atropelada.
Ainda está com dores atrozes nas pernas, mas quer dedicar-se afincadamente à vida profissional, caso contrário a existência mergulha no marasmo.
A patroa prometeu que patrocinava a dinamização da peça " Grito atroador de um insecto atróptero " no teatro local. Que surpreendente! Costuma ser o dono da farmácia o patrono das artes...
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 99 – 8 a 10 palavras com ATRO

Vera Saraiva ― desafio nº 117

Acordei e olho-me no espelho: voltaram as lesões avermelhadas no pescoço e no peito. Sinto os braços envolventes da minha esposa que me abraça e beija levemente nos lábios. Tento esconder, como sempre o fiz, mas ela abre cuidadosamente a camisa e diz:
― Voltamos a ter de fazer fototerapia. Logo telefono e faço a marcação, não precisas de te preocupar mais. Quando te dá mais jeito?
Antes de responder, agradeci a Deus, por ter este apoio incondicional! 
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 35

Santuários de amor, luzes sombrias. São assim teus olhos, simultaneamente poços de ternura e rebeldia, fontes de constante inconstância.
Mesmo não estando comigo, a recordação de teus olhos acompanha-me por todo o lado.
Teu corpo está distante, mas tua alma anda comigo, teu olhar vive dentro do meu coração, é o farol que me concede um brilho no escuro.
Mas, viver somente de lembranças é doloroso! A distância é mãe das saudades...
E que saudades, Deus meu!

Santuários de amor, luzes sombrias - verso extraído do poema "Olhos suaves, que em suaves dias", Manuel Maria Barbosa du Bocage;
E que saudades, Deus meu - verso extraído do poema "Balada da neve", Augusto Gil.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor

Vera Saraiva ― desafio nº 111

― Linha 111. Em que posso ser útil?
― Socorro! Estão 14 pessoas reunidas e a discutir as notas dos nossos alunos, e já não conseguimos pensar. Muito menos dar notas! Pode ligar o ar condicionado? A sala de reuniões está impraticável!
― Olá, D. Ana! É só dizer as coordenadas GPS e nós ligamos já o ar condicionado remoto.
― As coordenadas são: 36°31'12.1"N 5°54'54.3"W. Oh… muito obrigada… está muito melhor! E logo à noite, mantém-se o pedido de ontem!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 111 – linha de atendimento 111

Laura Garcez ― desafio RS nº 11

Agora
Agora, quantas pessoas expirarão pela última vez, excluídos da próxima alvorada!
Agora, quantas lágrimas desfeitas, inundarão rostos desfigurados, pela linha do acaso!
Agora, quantas crianças ― destroçadas, cambaleantes ― porque jamais verão os seus pais?
Agora, quantas mães bradarão, porque perderão quem lhes saiu das entranhas?
Agora, quantas brisas mensageiras perderão importância, afogadas pelo ruído do mundo?
Agora, quantas paixões violentamente desfeitas, enroladas nas ondas escuras da perversão!
Agora e sempre, sobrarão novas noites, novas estrelas, que muitos esquecerão!
Laura Garcez, Lisboa, 44 anos

Desafio RS nº 11 – 7 frases de 11 palavras, sempre com uma palavra repetida

Vera Saraiva ― desafio nº 98

Lembro-me do tempo em que aquele velho sofá era a poltrona do avô. O tempo passou e tudo envelheceu… A madeira das janelas degradou-se com a chuva e com o calor. A tinta da parede foi arrancada pelas intempéries. O jardim, que outrora fora resplandecente, graças ao tempo interminável que o avô lhe dedicava, é hoje abrigo de ervas daninhas e animais que ali encontraram a sua casa. Apesar de tudo, a casa permaneceu. Avô, onde estás?
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

15 julho 2017

Vera Saraiva ― desafio RS nº 48

O nascimento do primeiro filho, a sua maior alegria! Seguiu-se a Maria e por último o António. Ser mãe de três filhos a tempo inteiro e esposa, dá um trabalhão!
Os dias foram passando, depois os anos, atribulados e sempre a correr para dar assistência aos seus tão amados filhos, que foram crescendo sem que desse conta…
Só então, houve tempo para se olhar no espelho… Ali estava aquele rosto enrugado, irreconhecível, que outrora fora o seu!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 48 ― um rosto diferente no espelho

Quita Miguel ― escritiva nº 20

Jantar
– Sei lá! – respondeu Eugénia ao marido.
Ele encolheu os ombros e deixou-a com o mau feitio. Sabia o quanto a mulher estava tensa, já que seria a primeira vez que iria cozinhar para a sogra.
Decidiu-se por coelho. Colocou-o a estufar e foi regando-o com todo o cuidado, mas uma mão fugiu-lhe e o extrato de carne caiu por inteiro dentro do tacho.
Foi isso que a salvou, dando ao tempero um segredo que ela nunca revelou.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio Escritiva nº 20 – acidentes da ciência
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 

Vera Saraiva ― desafio RS nº 47

Parece impossível, é o primeiro dia do mês e aquele urso varejeiro não pagou, deve ser para me espicaçar! Sem hesitação, passei o dedo no telemóvel.
Apareceu uma imagem aleatória de uma lamparina em cima de um místico jaguar quatro notas no tejadilho oculto atrás de um xaile.
Que grande zanga! Tive de terminar a chamadasolidão instalou-se imediatamenteO bárbaro do meu patrão cometeu um crime contra o rival e está falido. Que atrapalhação!
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio RS nº 47 – 23 palavras obrigatórias!

Celina Silva Pereira ― desafio nº 120

A sala de aula
Licenciara-se no início da segunda dezena de anos na sua cidade. Na pressa de conseguir uma colocação, terminara obtendo um dos primeiros lugares de um concurso e trabalhara mais dois decênios numa área estranha, com processos e documentos.
Terminara essa jornada, já há cinco meses em casa. Lendo as notícias, encontrou outra oportunidade, agora para mestra. Decidiu participar e retornar para a carreira sequer iniciada. Lendo algumas apostilas, recordou lições passadas. Assim reencontrou a sala de aula.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Vera Saraiva ― desafio Rádio Sim nº 49

Daniel chega da escola e entrega um recado da professora à mãe.
A mãe, muito atarefada e com as mãos molhadas, pergunta:
― É um recado sobre o quê?
― Não sei, não sei – respondeu ele prontamente. – É qualquer coisa sobre uma operação.
― Operação a quem? Tens a certeza? – pergunta a mãe, limpando as mãos rapidamente e já um pouco preocupada com a informação da professora.
No cabeçalho começou por ler: “OPERAÇÃO NARIZ VERMELHO – Atividade do dia da criança”.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio Rádio Sim nº 49 ― operação

Carla Silva ― desafio nº 121

A blusa de seda
Era a mim que tu pedias perdão?! A mim?! Depois de teres usado a minha blusa de seda sem autorização e de lhe teres deixado uma nódoa enorme?!
Talvez não saibas... Que digo? Sabes! Eu avisei!
Aquela blusa foi oferta de Luca, trouxe-a de Itália depois das férias. Apenas a uso em ocasiões especiais. Uso não, usava!
Contudo, tu não ligaste nenhuma. E agora queres que te perdoe?
Mas claro que perdoo. Quando trouxeres outra de Itália.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 121 – 3 inícios de frase impostos